Tumor Board Maps

Tumor Board Maps

Mapas de evidência que conectam biologia tumoral, prática clínica, guidelines e ensaios clínicos.

Os Tumor Board Maps do TheraTrials foram criados para transformar evidência científica complexa em raciocínio clínico estruturado. Cada mapa conecta fundamentos biológicos, critérios de imagem molecular, principais estudos clínicos, diretrizes, ferramentas práticas e ensaios ativos — ajudando equipes multidisciplinares a preparar discussões de casos com mais clareza e rigor científico.

Conteúdo destinado à educação médica e à discussão científica. Não substitui avaliação clínica individualizada, protocolos institucionais, julgamento médico ou consulta às fontes primárias.

Mapas disponíveis

Mapas completos de câncer de próstata e tumores neuroendócrinos. Outros tumores estão em desenvolvimento.

Câncer de próstata
Mapa completo
PSMA Lu-177 Ra-223 Ac-225 mCRPC mHSPC
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Tumores neuroendócrinos
Mapa completo
SSTR Lu-177 PRRT α-PRRT G1–G3 GEP-NET
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Fígado — HCC e vias biliares
Mapa completo
Y-90 TARE BCLC LI-RADS HCC Colangio
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Câncer de tireoide
Mapa completo
I-131 RAI Iodo-ávido CDT CMT / CAT
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Câncer de mama
Mapa completo
HR+/HER2− HER2+ TNBC T-DXd · ADC FES · HER2-PET
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Câncer de pulmão
Mapa completo
NSCLC drivers Imuno 1L Perioperatório SCLC DLL3 · FAPI
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Meningioma
Mapa completo
SSTR · DOTATATE PRRT 177Lu Grau OMS 1/2/3 Cirurgia · RT FAK-NF2
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Tumor Board Map — Câncer de Próstata

Da biologia do PSMA aos principais trials de radioligantes, critérios de seleção e estudos ativos.

1

Visão geral

O mCRPC é o cenário com evidência clínica mais consolidada para as terapias com radioligantes direcionadas ao PSMA. A discussão em tumor board integra o estado da doença, os tratamentos prévios, a expressão de PSMA, a heterogeneidade tumoral, a reserva clínica, o acesso terapêutico e a possibilidade de ensaio clínico.

2

Teoria essencial

PSMA como alvo molecular

Glicoproteína de membrana superexpressa no câncer de próstata, sobretudo na doença avançada e resistente à castração. A expressão varia entre lesões e ao longo do tempo — por isso a imagem precede a terapia.

Imagem molecular como ferramenta de seleção

O PET/CT-PSMA mapeia a doença PSMA-positiva e seleciona candidatos a radioligantes. Na suspeita de fenótipo agressivo ou lesões de baixa captação, o FDG PET ajuda a revelar doença discordante.

Terapia com radioligantes

Um vetor dirigido ao PSMA, acoplado a um radionuclídeo, entrega radiação diretamente às células que expressam o alvo, poupando relativamente o tecido normal.

Beta versus alfa-emissores

O Lu-177 (beta) tem a evidência mais madura. Os alfa-emissores, como o Ac-225, concentram alta energia em alcance curto (LET elevado), com potencial em doença refratária — mas ainda esbarram em toxicidade, produção e dados clínicos limitados.

3

Perguntas do tumor board

As perguntas que estruturam a decisão em tumor board, agrupadas por eixo.

Estágio e linha terapêutica
  • O paciente está em mHSPC, nmCRPC ou mCRPC?
  • Já recebeu ARPi (abiraterona, enzalutamida, apalutamida, darolutamida)?
  • Já recebeu docetaxel ou cabazitaxel?
Imagem molecular
  • A doença é PSMA-positiva em intensidade e extensão suficientes?
  • Há lesões suspeitas PSMA-negativas ou discordantes?
  • Existe indicação de FDG PET para avaliar heterogeneidade ou agressividade biológica?
Segurança e reserva clínica
  • Há reserva medular adequada?
  • A função renal é aceitável?
  • Há doença visceral, especialmente hepática?
  • O paciente tem sintomas ósseos importantes?
Objetivo terapêutico
  • O objetivo é controle sistêmico, paliação, adiamento de quimioterapia, ponte terapêutica ou inclusão em ensaio?
Acesso e pesquisa clínica
  • Existe opção aprovada e acesso local?
  • Há protocolo de pesquisa disponível ou necessidade de encaminhamento?
4

Jornada terapêutica

A jornada terapêutica no câncer de próstata depende de dois eixos: a presença de metástases e a sensibilidade à castração. Esses estados definem o papel relativo da terapia local, da intensificação sistêmica, da imagem molecular, dos radioligantes e dos ensaios clínicos.

Não-metastático M0
Metastático M1
Hormônio-sensível
Localizada · Recidiva bioquímica M0

Doença confinada, ou apenas PSA em ascensão após tratamento local — testosterona ainda sensível.

Tratamento típicoRT · cirurgia · vigilância ativa · RT de resgate
mHSPC M1

Metástases com a doença ainda sensível à castração (de novo ou em recidiva).

Tratamento típicoADT + ARPi e/ou docetaxel (intensificação precoce)
Castração-resistente
nmCRPC M0

PSA em ascensão apesar da castração, sem metástase visível na imagem convencional.

Tratamento típicoARPi de 2ª geração (apalutamida, enzalutamida, darolutamida)
mCRPC M1 RLT-PSMA

Progressão (PSA, imagem ou clínica) apesar da testosterona de castração, com metástases.

Tratamento típicoTaxano · 177Lu-PSMA · 223Ra (ósseo) · PARP (HRR+)
Castração = testosterona <50 ng/dL (cirúrgica ou por ADT). A doença é resistente quando progride apesar disso.
M0 vs M1 = ausência ou presença de metástases na imagem (TC/cintilografia). O PSMA PET é mais sensível e pode reclassificar M0→M1.

Recidiva bioquímica (BCR): o PSA volta a subir após tratamento local com intenção curativa — a doença permanece hormônio-sensível. O PSMA PET localiza a recidiva e ajuda a decidir entre terapia dirigida (RT de resgate / SBRT em oligometástases) e sistêmica.

Onde cada modalidade entra

Onde cada modalidade entra, estado a estado, com estudos reais — não só radioligantes (ARPi, quimioterapia, PARP, radioterapia, imunoterapia). Clique para abrir a ficha; a lista completa está no Database.

1 · Doença localizada / alto risco

Radioterapia e cirurgia no centro; PSMA PET ganha espaço no estadiamento. Radioligante sistêmico só em pesquisa.

RT/cirurgia estabelecidas

2 · Recidiva bioquímica

PSMA PET localiza a recidiva e guia terapia dirigida; radioligante sistêmico ainda investigacional.

ARPi na recidiva (EMBARK)RT / oligometastático

3 · mHSPC

Intensificação precoce com ARPi e/ou docetaxel; radioligante em combinação ainda investigacional.

ARPi/quimio estabelecidasRLT investigacional

4 · nmCRPC

Manejo com ARPi de 2ª geração; radioligante sem papel estabelecido.

ARPi estabelecida

5 · mCRPC pré-taxano (pós-ARPi)

ARPi, PARP (em HRR+) e antecipação do radioligante antes da quimio — evidência em expansão.

Evidência em expansão

6 · mCRPC pós-ARPi e pós-taxano

Cenário de evidência mais madura para Lu-177-PSMA, ao lado de taxano e ARPi.

Evidência mais madura (RLT)

7 · Doença refratária / terapias experimentais

Alfa-emissores (Ac-225, Pb-212) e novos radioligantes; evidência clínica ainda precoce.

Experimental
5

Jornada do Paciente até Terapia com Radioligantes PSMA

Do reconhecimento da progressão à discussão multidisciplinar, documentação, acesso e monitoramento.

Esta seção tem finalidade educacional e de melhoria de jornada assistencial. Não define elegibilidade individual, não recomenda tratamento e não substitui julgamento médico, bula, guidelines, protocolos institucionais ou consulta às fontes primárias.

A existência da terapia não basta. O paciente precisa ser reconhecido no momento certo, ter a imagem adequada, ser discutido em equipe e superar os gargalos de acesso. As etapas abaixo mapeiam esse percurso assistencial.

1Diagnóstico e estratificação inicial
ObjetivoClassificar risco, estágio e extensão da doença desde o diagnóstico.
2Progressão e definição do estado da doença
ObjetivoReconhecer transições clínicas relevantes — recidiva bioquímica, doença metastática hormônio-sensível (mHSPC), nmCRPC ou mCRPC.
3Identificação do candidato potencial para discussão
ObjetivoReconhecer pacientes que podem se beneficiar de avaliação multidisciplinar para terapia com radioligantes PSMA ou ensaios clínicos.
LinguagemPreferir “candidato potencial para discussão”, “paciente a ser avaliado” ou “adequado para revisão multidisciplinar” — evitar afirmar “paciente elegível”, que exige avaliação formal pela equipe responsável.
4PSMA PET e avaliação de heterogeneidade
ObjetivoAvaliar expressão do alvo, carga tumoral, distribuição da doença e possível heterogeneidade biológica.
5Discussão em tumor board
ObjetivoIntegrar evidência, imagem, história terapêutica, segurança, acesso e pesquisa clínica.
6Pré-terapia, documentação e acesso
ObjetivoOrganizar exames, autorizações, relatório médico, agendamento e logística do radiofármaco.
7Administração e monitoramento
ObjetivoRealizar a terapia com segurança e monitorar toxicidade e resposta entre ciclos.
8Seguimento, resposta e próxima linha
ObjetivoAvaliar resposta, progressão, toxicidade tardia e próximas opções terapêuticas ou ensaios clínicos.

Gargalos da Jornada e Oportunidades de Otimização

10 gargalos + indicadores

Os indicadores abaixo são apresentados como métricas de melhoria institucional — não são metas promocionais nem comerciais, e devem ser adaptados ao contexto de cada serviço.

1 Progressão reconhecida tardiamente
ConsequênciaJanela terapêutica reduzida; paciente chega à avaliação em pior estado clínico.
OportunidadeChecklist de progressão; PSA/testosterona seriados; discussão precoce em tumor board.
Critérios práticosTempo: progressão → solicitação de PSMA PET
2 PSMA PET solicitado tarde
ConsequênciaAtraso na caracterização da doença e na decisão terapêutica.
OportunidadeFluxos de indicação de imagem por linha terapêutica.
Guidelines de imagemTempo: progressão → PSMA PET
3 Laudo PSMA não orientado à discussão terapêutica
ConsequênciaInformação insuficiente para o tumor board decidir.
OportunidadeModelo de laudo orientado à RLT (ver elementos abaixo).
Ferramenta PSMA% laudos com descrição de lesões de baixa/ausente expressão
4 Falta de avaliação de heterogeneidade ou lesões discordantes
ConsequênciaRisco de subestimar fenótipo agressivo ou doença discordante.
OportunidadeDescrever lesões discordantes; considerar FDG PET em cenários selecionados.
Guidelines PSMA-RLT% laudos com avaliação de heterogeneidade
5 Encaminhamento tardio à medicina nuclear
ConsequênciaPaciente com ECOG ou reserva medular comprometidos na avaliação.
OportunidadeEncaminhamento precoce; critérios educacionais de triagem.
Checklist de encaminhamentoTempo: PSMA PET → avaliação em medicina nuclear
6 Dados clínicos incompletos para tumor board
ConsequênciaDiscussão improdutiva; decisões adiadas.
OportunidadeChecklist pré-board; apresentação padronizada.
Checklist de apresentação% casos com checklist completo
7 Documentação insuficiente para autorização
ConsequênciaAtraso ou negativa de autorização.
OportunidadePacote documental padronizado.
Checklist de pré-terapia% processos com documentação completa na 1ª submissão
8 Atraso entre decisão e primeiro ciclo
ConsequênciaProgressão no intervalo; perda de oportunidade terapêutica.
OportunidadeFluxo logístico com responsáveis definidos.
Checklist de pré-terapiaTempo: decisão em tumor board → primeiro ciclo
9 Monitoramento laboratorial irregular
ConsequênciaToxicidade reconhecida tardiamente.
OportunidadeCalendário de ciclos; lembretes laboratoriais.
CTCAE% ciclos com exames dentro do prazo
10 Falta de reavaliação estruturada pós-terapia
ConsequênciaDemora para rediscussão e definição da próxima linha.
OportunidadeFluxo de reavaliação; integração com Trial Matcher.
Trial Matcher% pacientes rediscutidos / avaliados para ensaio quando aplicável

Elementos úteis em um laudo PSMA orientado à discussão terapêutica

12 elementos

Lista educacional de elementos que tornam um laudo PSMA mais útil para a discussão em tumor board. Não é um modelo de laudo completo e não afirma elegibilidade automática — a interpretação final é sempre clínica e multidisciplinar.

Radiotraçador utilizado
Data do exame
Indicação clínica
Distribuição da doença
Intensidade relativa de captação
Lesões de maior carga tumoral
Lesões com baixa ou ausente expressão de PSMA
Doença visceral
Doença óssea extensa
Comparação com exames anteriores
Impressão final orientada à pergunta clínica
Recomendação de correlação clínica e discussão multidisciplinar
6

Mapa de evidências

Cenários clínicos e os estudos-chave associados. Clique em um estudo para abrir sua ficha no Database.

Cenário A · pós-ARPi + pós-taxano
mCRPC multi-tratado

Onde o Lu-177-PSMA tem a evidência mais madura. Revisar tratamentos prévios, critérios de imagem, reserva medular e renal e doença discordante.

Cenário B · pré-taxano
mCRPC pós-ARPi, sem quimioterapia

Antecipa o radioligante antes da quimioterapia. Evidência em expansão — pesar maturidade dos dados, acesso e status regulatório.

Cenário C · mHSPC
Intensificação precoce

Intensificação precoce com radioligante somado ao tratamento sistêmico padrão. Ainda investigacional.

Cenário D · doença óssea sintomática
Predomínio ósseo

Doença óssea sintomática sem metástase visceral. O Ra-223 é cálcio-mimético: atua no osso e não depende da expressão de PSMA.

Cenário E · alfa e novos emissores
Campo em expansão

Racional radiobiológico promissor, evidência clínica ainda precoce. Cautela com toxicidade, produção e dosimetria.

7

Estudos-chave

Desenho dos principais estudos. Resultados, desfechos e toxicidades ficam na ficha de cada um no Database — este mapa não reproduz hazard ratios, valores de p ou taxas de resposta.

VISIONpós-ARPi + pós-taxano
PopulaçãomCRPC PSMA-positivo, previamente tratado com ARPi e taxano.
Intervenção / comparador177Lu-PSMA-617 + cuidado padrão vs cuidado padrão.

Base da aprovação do Lu-177-PSMA neste cenário; a seleção por PET-PSMA é determinante.

TheraPpós-docetaxel
PopulaçãomCRPC PSMA-positivo, candidatos a cabazitaxel.
Intervenção / comparador177Lu-PSMA-617 vs cabazitaxel.

Comparação direta com cabazitaxel, com seleção por PSMA e FDG PET.

PSMAforepré-taxano
PopulaçãomCRPC PSMA-positivo, pós-ARPi, sem quimioterapia prévia.
Intervenção / comparador177Lu-PSMA-617 vs troca de ARPi.

Antecipa a terapia antes da quimioterapia; a sobrevida global foi confundida por crossover.

SPLASHpré-taxano
PopulaçãomCRPC PSMA-positivo, pós-ARPi.
Intervenção177Lu-PNT2002 (radioligante PSMA).

Cenário pré-taxano com radioligante alternativo (177Lu-PNT2002).

ECLIPSEpré-taxano
PopulaçãomCRPC PSMA-positivo, pós-ARPi.
IntervençãoRadioligante PSMA (estudo confirmatório).

Confirmatório no cenário pré-taxano.

PSMAdditionmHSPC
PopulaçãoCâncer de próstata hormônio-sensível metastático.
Intervenção177Lu-PSMA-617 em combinação com tratamento padrão.

Intensificação precoce no mHSPC; ainda investigacional.

ALSYMPCAósseo sintomático
PopulaçãomCRPC com metástases ósseas sintomáticas, sem metástase visceral conhecida.
Intervenção / comparador223Ra-dicloreto vs placebo.

Base do Ra-223 em doença óssea sintomática; racional cálcio-mimético, independente do PSMA.

Alfa-emissoresexperimental
Agentes225Ac-PSMA-617, 225Ac-J591, 212Pb-PSMA e outros radioligantes emergentes.

Em investigação, com evidência clínica precoce; o estágio de cada programa está nas fichas.

8

Trial Lineage — publicações secundárias e análises derivadas

Um estudo pivotal raramente é uma publicação única: gera uma família de evidências — follow-ups, subgrupos, qualidade de vida, segurança, biomarcadores, dosimetria e abstracts de congresso.

Estudos sem entradas catalogadas de publicações secundárias não aparecem nesta lista. As fichas completas, com citações e links oficiais, estão no Database.

9

Critérios práticos de discussão

Checklist clínico a revisar antes de discutir Lu-177-PSMA ou outras terapias.

Dados clínicos
  • Idade
  • ECOG / Karnofsky
  • Sintomas e dor óssea
  • Comorbidades
  • Expectativa e objetivo terapêutico
Histórico oncológico
  • Diagnóstico histológico
  • Status de castração
  • PSA atual e cinética
  • Terapias prévias e respostas/toxicidades a ARPi e taxanos
  • Uso prévio de Ra-223, se houver
Imagem molecular
  • PET/CT PSMA
  • Padrão de captação
  • Heterogeneidade e lesões discordantes
  • Considerar FDG PET em cenários selecionados
Segurança
  • Hemograma e reserva medular
  • Função renal e hepática
  • Extensão de doença óssea
  • Doença visceral
  • Risco de toxicidade hematológica, xerostomia, náusea e fadiga conforme a terapia
Acesso e pesquisa
  • Terapia aprovada / disponível
  • Possibilidade de inclusão em trial
  • Centro com experiência
  • Necessidade de encaminhamento
10

Ensaios clínicos ativos relacionados

Ensaios em andamento ou recrutando em câncer de próstata — PSMA, radioligantes, alfa-terapia, combinações sistêmicas e modalidades emergentes. A elegibilidade final depende sempre do protocolo oficial e do centro responsável.

13

Checklists

Três listas de itens para revisão — organização do caso, não critérios de elegibilidade (a avaliação formal cabe à equipe responsável). Cada uma pode ser copiada em texto.

Encaminhamento para discussão de RLT PSMA

Diagnóstico histológico
Estágio atual da doença
Status de castração
PSA atual e cinética
Tratamentos prévios
ARPi prévio
Taxano prévio, quando aplicável
Ra-223 prévio, se houver
PET/CT PSMA recente
Descrição de heterogeneidade
FDG PET, se disponível ou indicado
Hemograma
Função renal
Função hepática
ECOG / Karnofsky
Extensão óssea
Doença visceral
Sintomas
Objetivo da discussão
Possibilidade de ensaio clínico

Apresentação de caso no tumor board

Pergunta clínica objetiva
Linha terapêutica atual
Histórico de tratamentos
Resposta / toxicidade prévia
Status de imagem
PSMA PET
FDG PET, se pertinente
Dados laboratoriais
Performance status
Sintomas
Opções aprovadas
Ensaios clínicos disponíveis
Limitações ou incertezas
Próximo passo proposto para discussão

Pré-terapia, documentação e acesso

Relatório médico
Laudo PSMA
Exames laboratoriais atualizados
Hemograma
Creatinina / eTFG
Função hepática
Avaliação de sintomas
Registro de medicações
Consentimento institucional, se aplicável
Orientações de radioproteção
Autorização
Agendamento
Logística do radiofármaco
Comunicação com oncologista assistente
Plano de monitoramento entre ciclos

Tumor Board Map — Tumores Neuroendócrinos

Da biologia do receptor de somatostatina à PRRT com 177Lu-DOTATATE, critérios de seleção e estudos ativos.

1

Visão geral

Os NETs bem diferenciados que expressam receptores de somatostatina (SSTR) são o cenário de maior maturidade da PRRT com 177Lu-DOTATATE. A discussão em tumor board integra o grau e a diferenciação, o sítio primário e a funcionalidade, a expressão de SSTR na imagem, a extensão da doença, a função renal e hepática, os sintomas e a possibilidade de ensaio clínico.

2

Teoria essencial

SSTR como alvo molecular

Os NETs bem diferenciados superexpressam receptores de somatostatina, sobretudo o subtipo SSTR2. Esse alvo sustenta a imagem (DOTATATE), a terapia (PRRT) e a ação dos análogos de somatostatina.

Imagem molecular como ferramenta de seleção

O 68Ga-DOTATATE PET/CT mapeia a expressão de SSTR (escore de Krenning) e seleciona candidatos a PRRT. O FDG PET complementa em tumores de alto grau ou com suspeita de doença discordante.

Terapia com radioligantes (PRRT)

A PRRT acopla um análogo de somatostatina (DOTATATE) a um radionuclídeo terapêutico, entregando radiação às células que expressam SSTR — o princípio teranóstico clássico no NET.

Beta versus alfa-emissores

O 177Lu-DOTATATE (beta) tem a evidência mais madura. Os alfa-emissores (212Pb, 225Ac) concentram alta energia em alcance curto, com potencial em doença refratária — ainda investigacionais.

3

Perguntas do tumor board

As perguntas que estruturam a decisão em tumor board, agrupadas por eixo.

Grau e diferenciação
  • É NET bem diferenciado ou NEC pouco diferenciado?
  • Qual o grau (Ki67: G1, G2 ou G3)?
  • Qual o sítio primário e é funcionante?
Imagem molecular
  • A doença é SSTR-positiva (escore de Krenning suficiente)?
  • Há lesões SSTR-negativas ou discordantes?
  • Há indicação de FDG PET (alto grau ou desdiferenciação)?
Segurança e reserva clínica
  • A função renal é adequada (eTFG)?
  • Há reserva medular adequada?
  • Há doença hepática extensa?
  • Há sintomas de síndrome carcinoide?
Objetivo terapêutico
  • O objetivo é controle tumoral, controle de sintomas, antecipação da PRRT, ponte ou inclusão em ensaio?
Acesso e pesquisa clínica
  • Existe opção aprovada e acesso local?
  • Há protocolo de pesquisa disponível ou necessidade de encaminhamento?
4

Jornada terapêutica

A jornada no NET depende de dois eixos: a diferenciação/grau (NET bem-diferenciado vs NEC) e a extensão (ressecável vs metastático). Somados à expressão de SSTR, esses estados definem o papel da cirurgia, dos análogos de somatostatina, da PRRT, das terapias-alvo e da quimioterapia.

Localizado / ressecável M0
Metastático M1
Bem-diferenciado (NET)
NET localizado / ressecável M0

Doença confinada ou ressecável, bem diferenciada.

Tratamento típicoCirurgia (intenção curativa) · vigilância em G1 selecionados
NET metastático SSTR+ M1 PRRT

Bem diferenciado, metastático/irressecável, com expressão de SSTR.

Tratamento típicoSSA → 177Lu-DOTATATE · everolimus · sunitinibe (pNET)
Pouco-diferenciado (NEC)
NEC localizado (raro) M0

Pouco diferenciado e localizado — apresentação incomum.

Tratamento típicoCirurgia ± quimioterapia / radioterapia
NEC G3 metastático M1

Pouco diferenciado e metastático — comportamento agressivo.

Tratamento típicoQuimioterapia à base de platina · PRRT em casos selecionados SSTR+
Grau / diferenciação = Ki67 e morfologia (G1 <3%, G2 3-20%, G3 >20%; NET bem-diferenciado vs NEC pouco-diferenciado).
M0 vs M1 = doença ressecável/localizada vs metastática irressecável na imagem.

Expressão de SSTR (porta da PRRT): o 68Ga-DOTATATE PET e o escore de Krenning definem a elegibilidade para PRRT. Tumores SSTR-negativos ou predominantemente FDG-ávidos têm comportamento mais agressivo e racional terapêutico distinto.

Onde cada modalidade entra

Onde cada modalidade entra ao longo da história do NET, com estudos reais — cirurgia, SSA, PRRT, terapias-alvo e quimioterapia. Clique para abrir a ficha; a lista completa está no Database.

1 · Localizado / ressecável

Cirurgia com intenção curativa; vigilância em G1 pequenos selecionados.

Cirurgia estabelecida

2 · Avançado bem-diferenciado · 1ª linha

Análogos de somatostatina controlam sintomas e crescimento tumoral.

SSA estabelecido

3 · Progressão sob SSA

PRRT, terapias-alvo e tratamento loco-regional (TARE) em doença hepática-dominante.

PRRT / alvo estabelecidos

4 · PRRT — expansão de uso

177Lu-DOTATATE movido para linhas mais precoces e graus mais altos (G2/G3).

NETTER-2 (1ª linha G2/G3)Em expansão

5 · NEC G3 / pouco diferenciado

Quimioterapia à base de platina; capecitabina+temozolomida (CAPTEM) em pNET selecionados.

Quimioterapia (padrão NEC)

6 · Refratário / novos emissores

Alfa-PRRT (212Pb, 225Ac) e novos agentes; evidência clínica ainda precoce.

Experimental
5

Jornada do Paciente até a PRRT

Do diagnóstico e graduação à seleção por SSTR PET, discussão multidisciplinar, PRRT e monitoramento.

Esta seção tem finalidade educacional e de melhoria de jornada assistencial. Não define elegibilidade individual, não recomenda tratamento e não substitui julgamento médico, bula, guidelines, protocolos institucionais ou consulta às fontes primárias.

A existência da PRRT não basta. O paciente precisa ter o grau e a diferenciação definidos, a imagem de SSTR adequada, ser discutido em equipe e superar os gargalos de acesso. As etapas abaixo mapeiam esse percurso assistencial.

1Diagnóstico, diferenciação e graduação
ObjetivoDefinir histologia, diferenciação (NET vs NEC) e grau (Ki67).
2Estadiamento e SSTR PET
ObjetivoEstadiar e avaliar a expressão de SSTR para selecionar a PRRT.
3Identificação do candidato potencial à PRRT
ObjetivoReconhecer pacientes que podem se beneficiar de avaliação multidisciplinar para PRRT ou ensaios clínicos.
LinguagemPreferir “candidato potencial para discussão”, “paciente a ser avaliado” ou “adequado para revisão multidisciplinar” — evitar afirmar “paciente elegível”, que exige avaliação formal pela equipe responsável.
4SSTR vs FDG e avaliação de heterogeneidade
ObjetivoAvaliar a expressão de SSTR e identificar doença discordante ou heterogênea.
5Discussão em tumor board
ObjetivoIntegrar evidência, imagem, história terapêutica, segurança, acesso e pesquisa clínica.
6Pré-terapia, documentação e acesso
ObjetivoOrganizar exames, proteção renal, autorizações, relatório médico, agendamento e logística do radiofármaco.
7Administração e monitoramento
ObjetivoRealizar a PRRT com segurança (proteção renal com aminoácidos) e monitorar toxicidade e resposta entre ciclos.
8Seguimento, resposta e próxima linha
ObjetivoAvaliar resposta, progressão, toxicidade tardia e próximas opções terapêuticas ou ensaios clínicos.

Gargalos da Jornada e Oportunidades de Otimização

10 gargalos + indicadores

Os indicadores abaixo são apresentados como métricas de melhoria institucional — não são metas promocionais nem comerciais, e devem ser adaptados ao contexto de cada serviço.

1 Grau / diferenciação não definidos (Ki67 ausente)
ConsequênciaEstado da doença mal classificado; conduta inadequada ao grau.
OportunidadeRevisão patológica com Ki67 e diferenciação padronizados.
Scores de NET% laudos com Ki67 e diferenciação
2 SSTR PET solicitado tarde
ConsequênciaAtraso na seleção da PRRT e na decisão.
OportunidadeFluxos de indicação de imagem por linha terapêutica.
Imagem SSTR PETTempo: progressão → SSTR PET
3 Laudo SSTR PET sem escore de Krenning
ConsequênciaInformação insuficiente para o tumor board decidir.
OportunidadeModelo de laudo orientado à PRRT (ver elementos abaixo).
Krenning / SSTR-RADS% laudos com escore de Krenning
4 Falta de FDG PET em alto grau / discordância
ConsequênciaSubestima agressividade e doença desdiferenciada.
OportunidadeConsiderar FDG PET em G3 e suspeita de discordância.
Guidelines PRRT% G3 com FDG PET avaliado
5 Encaminhamento tardio à medicina nuclear
ConsequênciaPaciente com ECOG ou reserva comprometidos na avaliação.
OportunidadeEncaminhamento precoce; critérios educacionais de triagem.
Checklist de encaminhamentoTempo: SSTR PET → avaliação em medicina nuclear
6 Dados clínicos incompletos para tumor board
ConsequênciaDiscussão improdutiva; decisões adiadas.
OportunidadeChecklist pré-board; apresentação padronizada.
Checklist de apresentação% casos com checklist completo
7 Documentação insuficiente para autorização
ConsequênciaAtraso ou negativa de autorização.
OportunidadePacote documental padronizado.
Checklist de pré-terapia% processos com documentação completa na 1ª submissão
8 Atraso entre decisão e primeiro ciclo
ConsequênciaProgressão no intervalo; perda de oportunidade terapêutica.
OportunidadeFluxo logístico com responsáveis definidos.
Checklist de pré-terapiaTempo: decisão em tumor board → primeiro ciclo
9 Monitoramento renal/hematológico irregular
ConsequênciaToxicidade reconhecida tardiamente (a função renal é crítica na PRRT).
OportunidadeCalendário de ciclos, proteção renal e lembretes laboratoriais.
Função renal% ciclos com exames dentro do prazo
10 Falta de reavaliação estruturada pós-PRRT
ConsequênciaDemora para rediscussão e definição da próxima linha.
OportunidadeFluxo de reavaliação; integração com Trial Matcher.
Trial Matcher% pacientes rediscutidos / avaliados para ensaio quando aplicável

Elementos úteis em um laudo de SSTR PET orientado à discussão terapêutica

12 elementos

Lista educacional de elementos que tornam um laudo de SSTR PET mais útil para a discussão em tumor board. Não é um modelo de laudo completo e não afirma elegibilidade automática — a interpretação final é sempre clínica e multidisciplinar.

Radiotraçador utilizado (68Ga-DOTATATE/DOTATOC/DOTANOC)
Data do exame
Indicação clínica
Escore de Krenning / intensidade de captação
Distribuição da doença
Lesões de maior carga tumoral
Lesões com baixa ou ausente expressão de SSTR
Doença hepática e sua extensão
Achados em FDG PET, quando disponível (discordância)
Comparação com exames anteriores
Impressão final orientada à pergunta clínica
Recomendação de correlação clínica e discussão multidisciplinar
6

Mapa de evidências

Cenários clínicos e os estudos-chave associados. Clique em um estudo para abrir sua ficha no Database.

Cenário A · midgut pós-SSA
NET de intestino médio, progressão sob SSA

Onde a PRRT (177Lu-DOTATATE) tem a evidência mais madura, após progressão sob análogo de somatostatina.

Cenário B · G2/G3 1ª linha
GEP-NET de grau mais alto

PRRT movida para linha mais precoce e graus mais altos. Evidência em expansão.

Cenário C · terapia-alvo (pNET)
NET pancreático avançado

Everolimus e sunitinibe controlam a doença avançada; a sequência com a PRRT é definida caso a caso.

Cenário D · controle com SSA
Avançado bem-diferenciado, 1ª linha

Análogos de somatostatina como base do controle tumoral e sintomático.

Cenário E · NEC e novos emissores
Pouco diferenciado / experimental

NEC G3 tratado com quimioterapia; alfa-emissores em investigação para doença SSTR+ refratária.

7

Estudos-chave

Desenho dos principais estudos. Resultados, desfechos e toxicidades ficam na ficha de cada um no Database — este mapa não reproduz hazard ratios, valores de p ou taxas de resposta.

NETTER-1midgut pós-SSA
PopulaçãoNET de intestino médio avançado, em progressão sob análogo de somatostatina.
Intervenção / comparador177Lu-DOTATATE + octreotida LAR vs octreotida LAR em alta dose.

Base da aprovação da PRRT em NET; seleção por expressão de SSTR.

NETTER-2G2/G3 1ª linha
PopulaçãoGEP-NET G2/G3 avançado, em 1ª linha.
Intervenção / comparador177Lu-DOTATATE + SSA vs SSA em alta dose.

Move a PRRT para a 1ª linha em graus mais altos.

CLARINETSSA
PopulaçãoNET enteropancreático não-funcionante.
Intervenção / comparadorLanreotida vs placebo.

Efeito antitumoral do análogo de somatostatina.

PROMIDSSA · midgut
PopulaçãoNET de intestino médio.
Intervenção / comparadorOctreotida LAR vs placebo.

Controle de progressão com análogo de somatostatina.

RADIANT-4alvo · GI/pulmão
PopulaçãoNET não-funcionante de pulmão ou trato gastrointestinal.
Intervenção / comparadorEverolimus vs placebo.

Inibição de mTOR como opção em NET não-funcionante.

Sunitinibealvo · pNET
PopulaçãoNET pancreático avançado.
Intervenção / comparadorSunitinibe vs placebo.

Antiangiogênico no pNET.

NORDIC NECNEC G3
PopulaçãoNEC gastrointestinal pouco diferenciado.
IntervençãoQuimioterapia à base de platina (estudo observacional).

Referência de manejo do NEC G3 pouco diferenciado.

CAPTEM (E2211)pNET
PopulaçãoNET pancreático avançado.
Intervenção / comparadorCapecitabina + temozolomida vs temozolomida.

Esquema oral ativo no pNET.

Alfa-emissoresexperimental
Agentes212Pb-DOTAMTATE (ALPHAMEDIX), VMT-α-NET, 67Cu-SARTATE e outros agentes emergentes.

Em investigação para NET SSTR+ refratário; evidência clínica precoce.

8

Trial Lineage — publicações secundárias e análises derivadas

Um estudo pivotal raramente é uma publicação única: gera uma família de evidências — follow-ups, subgrupos, qualidade de vida, segurança, biomarcadores, dosimetria e abstracts de congresso.

Estudos sem entradas catalogadas de publicações secundárias não aparecem nesta lista. As fichas completas, com citações e links oficiais, estão no Database.

9

Critérios práticos de discussão

Checklist clínico a revisar antes de discutir PRRT ou outras terapias.

Dados clínicos
  • Idade
  • ECOG / Karnofsky
  • Sintomas (incl. síndrome carcinoide)
  • Comorbidades
  • Expectativa e objetivo terapêutico
Histórico oncológico
  • Diagnóstico e grau (Ki67)
  • Diferenciação (NET vs NEC)
  • Sítio primário e funcionalidade
  • Terapias prévias e respostas/toxicidades (SSA, alvo, quimio)
  • Marcadores (cromogranina A, 5-HIAA)
Imagem molecular
  • 68Ga-DOTATATE PET
  • Escore de Krenning
  • Heterogeneidade e lesões discordantes
  • FDG PET em alto grau
Segurança
  • Hemograma e reserva medular
  • Função renal (eTFG) — crítica na PRRT
  • Função hepática e extensão hepática
  • Risco de toxicidade renal e hematológica
Acesso e pesquisa
  • Terapia aprovada / disponível
  • Possibilidade de inclusão em trial
  • Centro com experiência
  • Necessidade de encaminhamento
10

Ensaios clínicos ativos relacionados

Ensaios em andamento ou recrutando em tumores neuroendócrinos — SSTR, PRRT, alfa-emissores, combinações e terapias-alvo. A elegibilidade final depende sempre do protocolo oficial e do centro responsável.

13

Checklists

Três listas de itens para revisão — organização do caso, não critérios de elegibilidade (a avaliação formal cabe à equipe responsável). Cada uma pode ser copiada em texto.

Encaminhamento para discussão de PRRT (NET)

Diagnóstico histológico e grau (Ki67)
Diferenciação: NET bem-diferenciado vs NEC
Sítio primário e funcionalidade
Estadiamento e extensão da doença
Tratamentos prévios (SSA, alvo, quimioterapia)
68Ga-DOTATATE PET com escore de Krenning
FDG PET, se G3 ou suspeita de discordância
Cromogranina A / 5-HIAA, se funcionante
Hemograma
Função renal (eTFG)
Função hepática
ECOG / Karnofsky
Sintomas (incl. síndrome carcinoide)
Objetivo da discussão
Possibilidade de ensaio clínico

Apresentação de caso no tumor board

Pergunta clínica objetiva
Grau / diferenciação e Ki67
Sítio primário e funcionalidade
Linha terapêutica atual
Histórico de tratamentos
Resposta / toxicidade prévia
Status de imagem (SSTR PET ± FDG)
Marcadores e dados laboratoriais
Performance status
Sintomas
Opções aprovadas
Ensaios clínicos disponíveis
Limitações ou incertezas
Próximo passo proposto para discussão

Pré-terapia, documentação e acesso

Relatório médico
Laudo de SSTR PET (Krenning)
Exames laboratoriais atualizados
Hemograma
Creatinina / eTFG
Função hepática
Avaliação de sintomas
Proteção renal com aminoácidos prevista
Manejo do análogo de somatostatina conforme protocolo
Consentimento institucional, se aplicável
Orientações de radioproteção
Autorização
Agendamento
Logística do radiofármaco
Plano de monitoramento entre ciclos

Tumor Board Map — Fígado: HCC e Vias Biliares

Do nódulo hepático (LI-RADS) ao estadiamento BCLC e à radioembolização (TARE) com 90Y, incluindo colangiocarcinoma.

1

Visão geral

O carcinoma hepatocelular (HCC) surge tipicamente no fígado cirrótico e costuma ser diagnosticado por imagem (LI-RADS), muitas vezes sem biópsia. O estadiamento BCLC liga o estágio da doença e a função hepática ao tratamento — e é onde a radioembolização (TARE) com 90Y se posiciona. O colangiocarcinoma é uma entidade distinta, guiada por ressecabilidade e biologia molecular.

2

Teoria essencial

Nódulo hepático e LI-RADS

No fígado cirrótico, o nódulo é caracterizado por TC/RM multifásica. O LI-RADS padroniza a probabilidade de HCC — a categoria LR-5 corresponde a HCC definitivo e dispensa biópsia.

Estadiamento BCLC

O BCLC integra carga tumoral, função hepática (Child-Pugh/ALBI) e performance status, ligando cada estágio (0/A/B/C/D) a um tratamento de referência.

TARE / radioembolização 90Y

Microesferas de 90Y são entregues por via intra-arterial no tumor. O 99mTc-MAA mapeia o shunt hepatopulmonar e a distribuição antes da terapia — o princípio teranóstico da TARE.

HCC versus colangiocarcinoma

Entidades distintas: o HCC segue o BCLC; o colangiocarcinoma é guiado por ressecabilidade e alvos moleculares (FGFR2, IDH1, HER2, BRAF). O colangio intra-hepático irressecável também pode receber TARE.

3

Perguntas do tumor board

As perguntas que estruturam a decisão em tumor board, agrupadas por eixo.

Estágio e função hepática
  • É HCC, colangiocarcinoma ou metástase?
  • Qual o estágio BCLC?
  • Qual a função hepática (Child-Pugh, ALBI) e o performance status?
Imagem
  • A lesão é LR-5 (HCC definitivo)?
  • Qual a carga e a distribuição (uni ou bilobar)?
  • Há invasão vascular ou doença extra-hepática?
Candidatura à TARE e segurança
  • O shunt hepatopulmonar é aceitável?
  • Há refluxo gastrointestinal corrigível por embolização?
  • A reserva hepática e a bilirrubina suportam o tratamento?
Objetivo terapêutico
  • Curativo (ablação/segmentectomia), ponte/downstaging para transplante, controle ou paliação?
Acesso e pesquisa clínica
  • Há infraestrutura (hemodinâmica + medicina nuclear) e equipe multidisciplinar?
  • Existe opção aprovada, acesso local ou protocolo de pesquisa?
4

Jornada terapêutica

O tratamento do HCC segue o BCLC, que liga o estágio e a função hepática à terapia. A escada abaixo mostra os 5 estágios e onde a TARE (90Y) entra. O colangiocarcinoma segue uma lógica distinta (ressecabilidade + biologia molecular).

Estadiamento BCLC 0 → A → B → C → D
BCLC 0Muito precoce

Nódulo único ≤2 cm, Child-Pugh A, PS 0.

PadrãoAblação ou ressecção
TARE: segmentectomia
BCLC APrecoce

Único ou ≤3 nódulos ≤3 cm, função preservada, PS 0.

PadrãoRessecção · transplante · ablação
TARE: segmentectomia / downstaging
BCLC BIntermediário

Multinodular, função preservada, PS 0.

PadrãoTACE (quimioembolização)
TARE: alternativa à TACE
BCLC CAvançado

Invasão vascular ou doença extra-hepática, PS 1-2.

PadrãoTerapia sistêmica (1ª linha)
TARE: invasão portal selecionada
BCLC DTerminal

PS >2 ou Child-Pugh C.

PadrãoCuidados de suporte · transplante selecionado
TARE: sem papel
Função hepática = Child-Pugh e ALBI. Toda decisão depende dela e do performance status — não apenas da carga tumoral.
TARE no BCLC = segmentectomia por radiação (0/A), alternativa à TACE (B) e casos selecionados com invasão portal (C).

Colangiocarcinoma: não usa o BCLC. O manejo é guiado por ressecabilidade e biologia molecular — gemcitabina/cisplatina ± durvalumabe ou pembrolizumabe, e alvos como FGFR2, IDH1, HER2 e BRAF V600E. O colangio intra-hepático irressecável pode receber TARE.

Onde cada modalidade entra

Onde cada modalidade entra ao longo do espectro hepático, com estudos reais — TARE, TACE, sistêmico e colangiocarcinoma. Clique para abrir a ficha; a lista completa está no Database.

1 · BCLC 0/A · precoce — TARE ablativa

Segmentectomia por radiação com altas doses ao segmento; intenção ablativa ou ponte ao transplante em irressecáveis.

Y-90 pivotal · segmentectomia

2 · BCLC B · intermediário — TARE vs TACE

Radioembolização como alternativa à quimioembolização; combinações loco-regional + imunoterapia em estudo.

TARE / TACETACE + IO/TKI

3 · BCLC C · avançado — TARE vs sistêmico

TARE em invasão portal selecionada, comparada ao tratamento sistêmico.

TARE vs / + sorafenibe

4 · BCLC C · sistêmico 1ª linha

Imunoterapia + antiangiogênico como padrão sistêmico de 1ª linha.

Sistêmico estabelecido

5 · Sistêmico 2ª linha / adjuvante

Após a 1ª linha; adjuvante pós-tratamento curativo em investigação.

2ª linha / adjuvante

6 · Metástases hepáticas de CCR — TARE

Radioembolização em metástases colorretais quimiorrefratárias, com doença predominantemente hepática.

mCRC selecionado

7 · Colangiocarcinoma (vias biliares)

Sistêmico (gemcitabina/cisplatina ± imunoterapia) e alvos moleculares; TARE no intra-hepático irressecável.

Colangio
5

Jornada do Paciente até a TARE

Do nódulo (LI-RADS) ao estadiamento BCLC, mapeamento angiográfico, dosimetria, administração e seguimento.

Esta seção tem finalidade educacional e de melhoria de jornada assistencial. Não define elegibilidade individual, não recomenda tratamento e não substitui julgamento médico, bula, guidelines, protocolos institucionais ou consulta às fontes primárias.

A TARE depende de uma cadeia precisa: caracterizar o nódulo, estadiar pelo BCLC e pela função hepática, mapear a anatomia arterial, fazer a dosimetria e discutir em equipe. As etapas abaixo mapeiam esse percurso assistencial.

1Diagnóstico e caracterização (LI-RADS)
ObjetivoCaracterizar o nódulo e definir o diagnóstico (HCC, colangiocarcinoma ou metástase).
2Estadiamento BCLC e função hepática
ObjetivoEstadiar pelo BCLC e avaliar a função hepática (Child-Pugh/ALBI).
3Identificação do candidato potencial à TARE
ObjetivoReconhecer pacientes que podem se beneficiar de avaliação para TARE ou outra terapia loco-regional/sistêmica.
LinguagemPreferir “candidato potencial para discussão”, “paciente a ser avaliado” ou “adequado para revisão multidisciplinar” — evitar afirmar “paciente elegível”, que exige avaliação formal pela equipe responsável.
4Mapeamento angiográfico e 99mTc-MAA
ObjetivoMapear a anatomia arterial, embolizar colaterais e quantificar o shunt hepatopulmonar.
5Discussão em tumor board hepatobiliar
ObjetivoIntegrar evidência, imagem, função hepática, segurança, acesso e pesquisa clínica.
6Pré-terapia, dosimetria e acesso
ObjetivoRealizar a dosimetria pré-terapêutica, organizar autorizações e a logística das microesferas.
7Administração de 90Y e imagem pós-dose
ObjetivoAdministrar as microesferas e verificar a biodistribuição (90Y-PET/CT ou Bremsstrahlung SPECT/CT).
8Seguimento e resposta (mRECIST)
ObjetivoAvaliar resposta (mRECIST/EASL), função hepática, REILD e próximas opções terapêuticas ou ensaios.

Gargalos da Jornada e Oportunidades de Otimização

10 gargalos + indicadores

Os indicadores abaixo são apresentados como métricas de melhoria institucional — não são metas promocionais nem comerciais, e devem ser adaptados ao contexto de cada serviço.

1 Nódulo não caracterizado por LI-RADS
ConsequênciaDiagnóstico atrasado ou incerto.
OportunidadeProtocolo de imagem multifásica com classificação LI-RADS.
LI-RADS% nódulos com classificação LI-RADS
2 Estágio BCLC e função hepática não documentados
ConsequênciaConduta inadequada ao estágio e à reserva hepática.
OportunidadeRegistro padronizado de BCLC, Child-Pugh e ALBI.
BCLC / ALBI% casos com BCLC e ALBI registrados
3 Encaminhamento tardio à radiointervenção / medicina nuclear
ConsequênciaJanela terapêutica reduzida.
OportunidadeEncaminhamento precoce ao tumor board hepatobiliar.
Checklist de encaminhamentoTempo: diagnóstico → avaliação loco-regional
4 Mapeamento / MAA mal documentado (shunt)
ConsequênciaRisco de pneumonite por radiação ou deposição extra-hepática.
OportunidadeSPECT/CT do MAA padronizado com cálculo de shunt.
Guideline TARE% procedimentos com shunt quantificado
5 Ausência de dosimetria personalizada
ConsequênciaSubdose tumoral ou sobredose ao fígado não-tumoral.
OportunidadeDosimetria por partição ou voxel.
Dosimetria TARE% TARE com dosimetria personalizada
6 Dados clínicos incompletos para tumor board
ConsequênciaDiscussão improdutiva; decisões adiadas.
OportunidadeChecklist pré-board; apresentação padronizada.
Checklist de apresentação% casos com checklist completo
7 Documentação insuficiente para autorização
ConsequênciaAtraso ou negativa de autorização.
OportunidadePacote documental padronizado.
Checklist de pré-terapia% processos com documentação completa na 1ª submissão
8 Atraso entre mapeamento e tratamento
ConsequênciaProgressão ou alteração anatômica no intervalo.
OportunidadeFluxo logístico com responsáveis definidos.
Checklist de pré-terapiaTempo: MAA → administração de 90Y
9 Monitoramento hepático irregular pós-TARE
ConsequênciaREILD (doença hepática induzida) reconhecida tardiamente.
OportunidadeCalendário de seguimento e função hepática seriada.
CTCAE% pacientes com função hepática no prazo
10 Falta de reavaliação por mRECIST pós-TARE
ConsequênciaDemora para definir a próxima linha.
OportunidadeFluxo de reavaliação por mRECIST; integração com Trial Matcher.
Trial Matcher% reavaliados por mRECIST em 3 meses

Elementos úteis em um relatório de TARE (mapeamento + dosimetria)

12 elementos

Lista educacional de elementos que tornam o relatório de TARE mais útil para a discussão em tumor board. Não é um modelo completo e não afirma elegibilidade automática — a interpretação final é sempre clínica e multidisciplinar.

Indicação e estágio BCLC
Função hepática (Child-Pugh, ALBI, bilirrubina)
Volumetria tumoral e hepática
Anatomia arterial e colaterais embolizadas
Shunt hepatopulmonar (99mTc-MAA)
Deposição extra-hepática
Modelo dosimétrico utilizado
Dose ao tumor e ao fígado não-tumoral
Atividade administrada
Imagem pós-dose (90Y-PET/CT) e biodistribuição
Impressão final orientada à pergunta clínica
Recomendação de seguimento e correlação multidisciplinar
6

Mapa de evidências

Cenários clínicos e os estudos-chave associados. Clique em um estudo para abrir sua ficha no Database.

Cenário A · precoce — TARE ablativa
BCLC 0/A irressecável

Segmentectomia por radiação e SIRT pivotal com dosimetria de partição; intenção ablativa ou ponte ao transplante em selecionados.

Cenário B · intermediário — TARE vs TACE
BCLC B multinodular

Radioembolização como alternativa à quimioembolização; combinações loco-regional + imunoterapia em estudo.

Cenário C · dosimetria personalizada
Otimização de dose

A dosimetria personalizada (dose-alvo elevada ao tumor) aumenta a resposta objetiva; paradigma atual da TARE.

Cenário D · avançado — TARE vs sistêmico
BCLC C

A TARE não superou o sorafenibe em sobrevida; o sistêmico (atezo+bev) é o padrão no avançado.

Cenário E · colangiocarcinoma
Vias biliares

Gemcitabina/cisplatina ± durvalumabe e alvos moleculares; TARE no intra-hepático irressecável.

7

Estudos-chave

Desenho dos principais estudos. Resultados, desfechos e toxicidades ficam na ficha de cada um no Database — este mapa não reproduz hazard ratios, valores de p ou taxas de resposta.

SARAHavançado · TARE vs sorafenibe
PopulaçãoHCC avançado (BCLC C ou B inelegível a TACE).
Intervenção / comparadorTARE 90Y (resina) vs sorafenibe.

TARE não superou o sorafenibe em sobrevida, com melhor tolerância.

SIRveNIBavançado · TARE vs sorafenibe
PopulaçãoHCC localmente avançado (Ásia-Pacífico).
Intervenção / comparadorTARE 90Y vs sorafenibe.

Confirma a ausência de superioridade de sobrevida, com perfil de toxicidade favorável.

DOSISPHERE-01dosimetria
PopulaçãoHCC com dose-alvo planejada.
Intervenção / comparadorDosimetria personalizada vs padrão (BSA).

A dose tumoral elevada aumentou a resposta objetiva; estabeleceu a personalização.

LEGACYsegmentectomia
PopulaçãoHCC solitário, irressecável.
IntervençãoTARE 90Y (vidro) — segmentectomia por radiação.

Altas taxas de resposta e controle local; ponte ou intenção curativa em selecionados.

DOORwaY90pivotal Y-90 · dosimetria
PopulaçãoHCC irressecável (BCLC A/B/C).
IntervençãoSIR-Spheres 90Y (resina), braço único, dosimetria de partição.

Pivotal que embasou a aprovação do FDA da SIRT 90Y em HCC. Resultados primários (ORR/DoR) reportados por press release; análise final pendente.

PREMIERETARE vs TACE
PopulaçãoHCC BCLC A/B.
Intervenção / comparadorTARE vs quimioembolização convencional (cTACE).

Maior tempo até progressão com a radioembolização.

IMbrave150sistêmico 1ª linha
PopulaçãoHCC avançado, 1ª linha.
Intervenção / comparadorAtezolizumabe + bevacizumabe vs sorafenibe.

Padrão sistêmico de 1ª linha no HCC avançado.

HIMALAYAsistêmico 1ª linha
PopulaçãoHCC avançado, 1ª linha.
Intervenção / comparadorDurvalumabe + tremelimumabe (STRIDE) vs sorafenibe.

Dupla imunoterapia como alternativa em 1ª linha.

EMERALD-1intermediário · TACE+IO
PopulaçãoHCC BCLC B elegível a TACE.
Intervenção / comparadorTACE + durvalumabe ± bevacizumabe vs TACE.

Combinação loco-regional + imunoterapia no estágio intermediário.

LEAP-012intermediário · TACE+IO/TKI
PopulaçãoHCC intermediário incurável (Child-Pugh A, sem invasão portal).
Intervenção / comparadorTACE + lenvatinibe + pembrolizumabe vs TACE + placebo.

Ganho de PFS ao somar IO + TKI à TACE; OS sem benefício significativo (imatura/encerrada).

TOPAZ-1colangio · 1ª linha
PopulaçãoCâncer de vias biliares avançado, 1ª linha.
Intervenção / comparadorGemcitabina/cisplatina + durvalumabe vs gemcitabina/cisplatina.

Imunoterapia somada à quimioterapia no colangiocarcinoma.

EPOCHmets CCR
PopulaçãoMetástases hepáticas de câncer colorretal (2ª linha).
Intervenção / comparadorTARE + quimioterapia vs quimioterapia.

Benefício loco-regional em metástases colorretais selecionadas.

8

Trial Lineage — publicações secundárias e análises derivadas

Um estudo pivotal raramente é uma publicação única: gera uma família de evidências — follow-ups, subgrupos, qualidade de vida, segurança, dosimetria e abstracts de congresso.

O Trial Lineage de HCC e vias biliares está em desenvolvimento — as publicações secundárias serão conectadas ao catálogo. Por ora, as fichas completas, com citações e links oficiais, estão no Database.

9

Critérios práticos de discussão

Checklist clínico a revisar antes de discutir TARE ou outras terapias.

Dados clínicos
  • Idade
  • ECOG / Karnofsky
  • Sintomas
  • Comorbidades (cirrose, etiologia)
  • Expectativa e objetivo terapêutico
Diagnóstico e estágio
  • Tipo (HCC / colangio / metástase)
  • LI-RADS ou histologia
  • Estágio BCLC
  • Função hepática (Child-Pugh, ALBI, MELD)
  • AFP (HCC) / CA 19-9 (vias biliares)
Imagem e candidatura à TARE
  • TC/RM multifásica
  • Carga e distribuição
  • Invasão vascular
  • Shunt hepatopulmonar (99mTc-MAA)
  • Dosimetria
Segurança
  • Bilirrubina e função hepática
  • Hemograma e função renal
  • Risco de REILD
  • Doença extra-hepática
  • Reserva do fígado não-tumoral
Acesso e pesquisa
  • Infraestrutura (hemodinâmica + medicina nuclear)
  • Equipe multidisciplinar
  • Terapia aprovada / disponível
  • Inclusão em trial
  • Necessidade de encaminhamento
10

Ensaios clínicos ativos relacionados

Ensaios em andamento ou recrutando em HCC, colangiocarcinoma e radioembolização — TARE, combinações loco-regional + imunoterapia, sistêmico e alvos moleculares. A elegibilidade final depende sempre do protocolo oficial e do centro responsável.

13

Checklists

Três listas de itens para revisão — organização do caso, não critérios de elegibilidade (a avaliação formal cabe à equipe responsável). Cada uma pode ser copiada em texto.

Encaminhamento para discussão de TARE (fígado)

Diagnóstico (LI-RADS ou histologia)
Tipo: HCC, colangiocarcinoma ou metástase
Estágio BCLC (no HCC)
Função hepática: Child-Pugh e ALBI
Performance status (ECOG)
Carga e distribuição da doença (uni/bilobar)
Invasão vascular (trombose portal)
Doença extra-hepática
TC trifásica / RM com contraste hepatoespecífico
Bilirrubina e função hepática
Hemograma
Função renal
AFP (HCC) / CA 19-9 (vias biliares)
Tratamentos prévios (sistêmico, TACE)
Objetivo da discussão
Possibilidade de ensaio clínico

Apresentação de caso no tumor board

Pergunta clínica objetiva
Diagnóstico e tipo (HCC / colangio / metástase)
Estágio BCLC e função hepática (Child-Pugh / ALBI)
Carga tumoral e distribuição
Invasão vascular e doença extra-hepática
Tratamentos prévios e respostas
Status de imagem (TC/RM, mRECIST)
Dados laboratoriais e marcadores
Performance status
Sintomas
Opções aprovadas
Ensaios clínicos disponíveis
Limitações ou incertezas
Próximo passo proposto para discussão

Pré-terapia, documentação e acesso (TARE)

Relatório médico
Imagem trifásica / RM recente
Volumetria e segmentação (tumor / fígado)
Mapeamento angiográfico planejado
99mTc-MAA: shunt hepatopulmonar
Dosimetria pré-terapêutica
Exames laboratoriais (bilirrubina, ALBI)
Hemograma
Função renal
Embolização profilática de colaterais GI
Consentimento institucional, se aplicável
Orientações de radioproteção
Autorização
Agendamento
Plano de seguimento e resposta (mRECIST)

Tumor Board Map — Câncer de Tireoide

Do nódulo e da estratificação de risco ATA à radioiodoterapia (I-131), à iodo-refratariedade e aos alvos no CMT e no CAT.

1

Visão geral

O carcinoma diferenciado de tireoide (CDT) iodo-ávido é o exemplo histórico de teranóstico: o mesmo radioiodo (I-131) que diagnostica também trata. A discussão em tumor board integra o tipo histológico, a estratificação de risco ATA, o status de iodo-avidez, a tireoglobulina, a extensão da doença e a terapia-alvo quando o tumor se torna refratário. O carcinoma medular (CMT) e o anaplásico (CAT) seguem lógicas distintas, fora do radioiodo.

2

Teoria essencial

O iodo e o NIS como alvo

As células foliculares captam iodo pelo simportador sódio-iodo (NIS). Isso sustenta a imagem (cintilografia/PCI) e a terapia (I-131) — o princípio teranóstico do radioiodo no CDT.

Imagem e iodo-avidez

A pesquisa de corpo inteiro (PCI) com radioiodo mapeia a doença iodo-ávida. O FDG PET complementa quando há suspeita de refratariedade ou desdiferenciação (fenótipo flip-flop).

Radioiodoterapia (RAI)

O I-131 é beta-emissor com componente gama: trata as células que captam iodo e permite imagem pós-dose. A atividade é calibrada ao risco ATA, com preparo de TSH e dieta hipoiódica.

Quando o iodo deixa de funcionar

Na doença iodo-refratária, a terapia migra para inibidores de tirosina-quinase (lenvatinibe, sorafenibe). A redifferentiation (inibidores de MEK/BRAF) busca restaurar a captação de iodo.

3

Perguntas do tumor board

As perguntas que estruturam a decisão em tumor board, agrupadas por eixo.

Tipo e risco
  • É CDT, CMT ou CAT?
  • Qual a estratificação de risco ATA?
  • Há variante de pior prognóstico?
Imagem e iodo-avidez
  • A doença é iodo-ávida (PCI)?
  • Há lesões FDG-ávidas ou discordantes?
  • Há indicação de FDG PET (suspeita de refratariedade)?
Marcadores e bioquímica
  • Qual a tireoglobulina (Tg) e sua cinética?
  • Há anticorpos anti-Tg interferentes?
  • Calcitonina e CEA no CMT?
Objetivo terapêutico
  • Ablação/adjuvância, tratamento de doença metastática iodo-ávida, controle no refratário ou inclusão em ensaio?
Acesso e pesquisa clínica
  • Há quarto plumbífero e estrutura para a RAI?
  • Existe opção aprovada (TKI/alvo) ou protocolo de pesquisa?
4

Jornada terapêutica

A jornada no CDT depende de dois eixos: a iodo-avidez (a doença ainda capta radioiodo?) e a extensão (localizada vs metastática). Somados à estratificação de risco ATA, eles definem o papel da cirurgia, da radioiodoterapia, da supressão de TSH e das terapias-alvo.

Não-metastático M0
Metastático M1
Iodo-ávido
CDT localizado / locorregional M0

Captação de iodo preservada; doença confinada ou locorregional.

Tratamento típicoCirurgia ± RAI ablativa (conforme risco ATA) · supressão de TSH · vigilância em microcarcinomas
CDT metastático iodo-ávido M1 RAI

Metástases que captam radioiodo.

Tratamento típicoRadioiodoterapia (I-131) terapêutica · supressão de TSH
Iodo-refratário
Refratário não-metastático (raro) M0

Perda de captação sem metástase a distância — apresentação incomum.

Tratamento típicoVigilância · radioterapia local · redifferentiation (investigacional)
CDT metastático iodo-refratário M1

Progride apesar do radioiodo, com perda de captação.

Tratamento típicoTKI (lenvatinibe, sorafenibe; cabozantinibe em 2ª linha) · redifferentiation
Iodo-avidez = captação de I-131 na cintilografia/PCI. A doença é refratária quando perde captação ou progride apesar da RAI.
M0 vs M1 = doença confinada/locorregional vs metástases a distância na imagem.

Iodo-avidez (porta da RAI): a captação de radioiodo define quem se beneficia do I-131. Tumores iodo-refratários (perda de captação, FDG-ávidos, desdiferenciados) seguem para terapia-alvo; a redifferentiation (inibidores de MEK/BRAF) busca restaurar a captação.

CMT e CAT não usam radioiodo. O carcinoma medular (CMT, células C) é guiado por RET — selpercatinibe (LIBRETTO) — e por TKI multi-alvo (cabozantinibe, vandetanibe). O carcinoma anaplásico (CAT) é agressivo: dabrafenibe + trametinibe em BRAF V600E, com imunoterapia em estudo.

Onde cada modalidade entra

Onde cada modalidade entra ao longo do espectro tireoidiano, com estudos reais — vigilância, cirurgia, RAI, redifferentiation, TKI e alvos no CMT/CAT. Clique para abrir a ficha; a lista completa está no Database.

1 · CDT inicial — vigilância / cirurgia

Microcarcinomas em vigilância ativa; cirurgia (lobectomia/tireoidectomia) conforme o risco.

Vigilância / cirurgia

2 · Ablação com RAI — desintensificação

RAI ablativa conforme risco ATA; o baixo risco pode dispensar a ablação.

RAI / desintensificação

3 · Metastático iodo-ávido — RAI terapêutica

I-131 terapêutica com supressão de TSH; reestratificação dinâmica da resposta.

RAI terapêutica (teranóstico)

4 · Redifferentiation — resgatar captação

Inibidores de MEK/BRAF para restaurar a avidez ao iodo em refratários selecionados.

Redifferentiation (investigacional)

5 · CDT iodo-refratário — terapia-alvo

Inibidores de tirosina-quinase antiangiogênicos no CDT refratário progressivo.

TKI estabelecido

6 · CMT — alvos RET

Carcinoma medular: selpercatinibe (RET) e TKI multi-alvo.

RET / TKI

7 · CAT — BRAF e doença agressiva

Carcinoma anaplásico: dabrafenibe + trametinibe (BRAF V600E), imunoterapia e agnósticos (NTRK).

CAT / BRAF
5

Jornada do Paciente até a Radioiodoterapia

Do diagnóstico e estratificação de risco ATA ao preparo, administração do I-131, reestratificação dinâmica e refratariedade.

Esta seção tem finalidade educacional e de melhoria de jornada assistencial. Não define elegibilidade individual, não recomenda tratamento e não substitui julgamento médico, bula, guidelines, protocolos institucionais ou consulta às fontes primárias.

A RAI eficaz depende de uma cadeia: definir o tipo e o risco ATA, decidir a indicação, preparar o TSH e a dieta, administrar o I-131 e reestratificar a resposta. As etapas abaixo mapeiam esse percurso assistencial.

1Diagnóstico e citologia
ObjetivoDefinir a citologia/histologia (Bethesda), a variante e o tipo (CDT, CMT ou CAT).
2Cirurgia e estratificação de risco ATA
ObjetivoDefinir a extensão cirúrgica e estratificar o risco ATA.
3Decisão de RAI (ablação / adjuvância / terapia)
ObjetivoDecidir se e quanto de RAI conforme o risco — incluindo a desintensificação no baixo risco.
LinguagemPreferir “candidato potencial para discussão”, “paciente a ser avaliado” ou “adequado para revisão multidisciplinar” — evitar afirmar “paciente elegível”, que exige avaliação formal pela equipe responsável.
4Preparo (TSH e dieta hipoiódica)
ObjetivoPreparar o TSH elevado e a dieta hipoiódica para otimizar a captação.
5Discussão em tumor board
ObjetivoIntegrar risco, imagem, bioquímica, segurança, acesso e pesquisa clínica.
6Administração da RAI e PCI pós-dose
ObjetivoAdministrar o I-131 com radioproteção e realizar a pesquisa de corpo inteiro pós-dose.
7Reestratificação dinâmica de risco
ObjetivoReclassificar a resposta ao tratamento (excelente, indeterminada, bioquímica incompleta ou estrutural incompleta).
8Refratariedade e próxima linha
ObjetivoReconhecer a iodo-refratariedade e definir TKI, redifferentiation ou ensaios clínicos.

Gargalos da Jornada e Oportunidades de Otimização

10 gargalos + indicadores

Os indicadores abaixo são apresentados como métricas de melhoria institucional — não são metas promocionais nem comerciais, e devem ser adaptados ao contexto de cada serviço.

1 Estratificação de risco ATA não documentada
ConsequênciaDecisão de RAI inadequada (sobre ou subtratamento).
OportunidadeRegistro padronizado do risco ATA e do sistema de resposta.
ATA 2025% casos com risco ATA registrado
2 Indicação de RAI sem critério
ConsequênciaRAI desnecessária no baixo risco ou omitida quando indicada.
OportunidadeIndicação por risco, com desintensificação no baixo risco.
Guideline RAI% RAI conforme estratificação de risco
3 Preparo inadequado (TSH / dieta)
ConsequênciaCaptação subótima e ablação ineficaz.
OportunidadeChecklist de preparo (TSH >30 mUI/L, dieta hipoiódica).
Checklist de pré-terapia% com TSH adequado e dieta cumprida
4 Stunning por iodo diagnóstico de alta dose
ConsequênciaRedução da captação terapêutica subsequente.
OportunidadeUsar 123I na PCI diagnóstica (sem stunning) ou omitir a PCI prévia em alto risco.
Guideline RAI% PCI diagnóstica com 123I
5 Falta de SPECT/CT na PCI pós-dose
ConsequênciaSubestima doença ectópica e localização imprecisa.
OportunidadePCI pós-dose com SPECT/CT de rotina.
Guideline RAI% PCI pós-dose com SPECT/CT
6 Dados clínicos incompletos para tumor board
ConsequênciaDiscussão improdutiva; decisões adiadas.
OportunidadeChecklist pré-board; apresentação padronizada.
Checklist de apresentação% casos com checklist completo
7 Anti-Tg não considerado no seguimento
ConsequênciaTireoglobulina falsamente baixa; doença subestimada.
OportunidadeRegistrar anti-Tg e acompanhar a tendência do título.
ATA 2025% seguimentos com anti-Tg avaliado
8 Refratariedade reconhecida tardiamente
ConsequênciaAtraso no início da terapia-alvo.
OportunidadeAplicar os critérios de iodo-refratariedade e considerar FDG PET.
Critérios práticosTempo: refratariedade → início de TKI
9 Monitoramento de toxicidade do TKI irregular
ConsequênciaToxicidade reconhecida tardiamente (HAS, mãos-pés, proteinúria).
OportunidadeCalendário de monitoramento e graduação por CTCAE.
CTCAE% ciclos com monitoramento no prazo
10 Falta de reavaliação estruturada pós-RAI / pós-TKI
ConsequênciaDemora para definir a próxima linha.
OportunidadeReestratificação dinâmica e integração com Trial Matcher.
Trial Matcher% pacientes reavaliados / avaliados para ensaio

Elementos úteis em um laudo de PCI / cintilografia de iodo

12 elementos

Lista educacional de elementos que tornam o laudo de PCI mais útil para a discussão em tumor board. Não é um modelo de laudo completo e não afirma elegibilidade automática — a interpretação final é sempre clínica e multidisciplinar.

Radioisótopo e atividade (I-131 / I-123)
Data e tipo de preparo (TSH, dieta hipoiódica)
Indicação clínica
Captação no leito tireoidiano (remanescente)
Captação metastática (linfonodal, pulmonar, óssea)
Lesões iodo-negativas / discordantes
SPECT/CT para localização anatômica
Estimativa de retenção / dosimetria, quando aplicável
Comparação com exames anteriores
Correlação com a tireoglobulina
Impressão final orientada à pergunta clínica
Recomendação de seguimento e correlação multidisciplinar
6

Mapa de evidências

Cenários clínicos e os estudos-chave associados. Clique em um estudo para abrir sua ficha no Database.

Cenário A · desintensificação da RAI
CDT de baixo risco

O baixo risco pode dispensar a RAI ablativa; desintensificação validada por não-inferioridade.

Cenário B · ablação — dose e preparo
Baixo/intermediário risco

Baixa atividade (30 mCi) e rhTSH equivalem à alta dose e à suspensão hormonal para a ablação.

Cenário C · iodo-refratário — terapia-alvo
CDT refratário progressivo

Lenvatinibe e sorafenibe em 1ª linha; cabozantinibe em 2ª, após progressão a TKI.

Cenário D · redifferentiation
Resgatar a captação de iodo

Inibidores de MEK/BRAF para restaurar a captação; ASTRA (selumetinibe adjuvante) foi negativo.

Cenário E · CMT e CAT
Fora do radioiodo

CMT guiado por RET (selpercatinibe); CAT por BRAF (dabrafenibe+trametinibe) — entidades fora do radioiodo.

7

Estudos-chave

Desenho dos principais estudos. Resultados, desfechos e toxicidades ficam na ficha de cada um no Database — este mapa não reproduz hazard ratios, valores de p ou taxas de resposta.

ESTIMABL2baixo risco · desintensificação
PopulaçãoCDT de baixo risco pós-tireoidectomia.
Intervenção / comparadorSeguimento sem RAI vs RAI ablativa.

Não-inferioridade da omissão da RAI no baixo risco.

IoNbaixo risco · omitir RAI
PopulaçãoCDT de baixo risco.
Intervenção / comparadorSem RAI vs RAI ablativa.

Avalia a segurança de não ablacionar no baixo risco.

HiLoablação · dose / preparo
PopulaçãoCDT de baixo/intermediário risco.
Intervenção / comparador30 vs 100 mCi; rhTSH vs suspensão hormonal.

Baixa atividade e rhTSH equivalem à alta dose e à suspensão para a ablação.

SELECTrefratário · lenvatinibe
PopulaçãoCDT iodo-refratário progressivo.
Intervenção / comparadorLenvatinibe vs placebo.

Lenvatinibe melhora a PFS no CDT refratário.

DECISIONrefratário · sorafenibe
PopulaçãoCDT iodo-refratário.
Intervenção / comparadorSorafenibe vs placebo.

Primeiro TKI a melhorar a PFS no CDT refratário.

COSMIC-311refratário · 2ª linha
PopulaçãoCDT refratário após VEGFR-TKI.
Intervenção / comparadorCabozantinibe vs placebo.

Cabozantinibe após progressão a TKI prévio.

LIBRETTO-531CMT · RET 1ª linha
PopulaçãoCMT avançado RET-mutado.
Intervenção / comparadorSelpercatinibe vs cabozantinibe/vandetanibe.

Selpercatinibe superior ao TKI multi-alvo no CMT RET+.

EXAMCMT · cabozantinibe
PopulaçãoCMT avançado progressivo.
Intervenção / comparadorCabozantinibe vs placebo.

Cabozantinibe melhora a PFS no carcinoma medular.

ROAR (ATC)CAT · BRAF V600E
PopulaçãoCarcinoma anaplásico BRAF V600E.
IntervençãoDabrafenibe + trametinibe.

Resposta no anaplásico BRAF-mutado, doença historicamente fatal.

8

Trial Lineage — publicações secundárias e análises derivadas

Um estudo pivotal raramente é uma publicação única: gera uma família de evidências — follow-ups, subgrupos, qualidade de vida, segurança, biomarcadores e abstracts de congresso.

O Trial Lineage de tireoide está em desenvolvimento — as publicações secundárias serão conectadas ao catálogo. Por ora, as fichas completas, com citações e links oficiais, estão no Database.

9

Critérios práticos de discussão

Checklist clínico a revisar antes de discutir RAI ou terapia-alvo.

Dados clínicos
  • Idade
  • ECOG / Karnofsky
  • Sintomas
  • Comorbidades
  • Expectativa e objetivo terapêutico
Histológico e bioquímico
  • Tipo (CDT / CMT / CAT) e variante
  • Estratificação de risco ATA
  • Tireoglobulina e anti-Tg / calcitonina-CEA (CMT)
  • Mutações (BRAF, RET)
  • Tratamentos prévios (RAI, TKI)
Imagem e iodo-avidez
  • Pesquisa de corpo inteiro (PCI)
  • Status de iodo-avidez
  • US cervical, TC/RM
  • FDG PET em suspeita de refratariedade
Segurança
  • Hemograma e função renal
  • Glândulas salivares (xerostomia) na RAI repetida
  • Atividade cumulativa de I-131
  • Toxicidade esperada do TKI (HAS, mãos-pés, proteinúria)
Acesso e pesquisa
  • Quarto plumbífero e estrutura para RAI
  • Terapia-alvo aprovada / disponível
  • Possibilidade de inclusão em trial
  • Necessidade de encaminhamento
10

Ensaios clínicos ativos relacionados

Ensaios em andamento ou recrutando em câncer de tireoide — RAI, redifferentiation, terapia-alvo (TKI, RET, BRAF) e modalidades emergentes. A elegibilidade final depende sempre do protocolo oficial e do centro responsável.

12

Ferramentas úteis

Calculadoras e critérios já disponíveis na página de Ferramentas.

13

Checklists

Três listas de itens para revisão — organização do caso, não critérios de elegibilidade (a avaliação formal cabe à equipe responsável). Cada uma pode ser copiada em texto.

Encaminhamento para discussão de tireoide (RAI / terapia-alvo)

Diagnóstico histológico (CDT / CMT / CAT)
Variante e características de agressividade
Estadiamento (TNM / AJCC)
Estratificação de risco ATA
Status pós-cirúrgico (tireoidectomia/lobectomia)
Tireoglobulina (Tg) e anti-Tg; calcitonina/CEA (CMT)
Pesquisa de corpo inteiro (PCI) / cintilografia de iodo
FDG PET, se suspeita de refratariedade
Status de iodo-avidez
TSH e função tireoidiana
Hemograma
Função renal
ECOG / Karnofsky
Tratamentos prévios (RAI, TKI)
Objetivo da discussão
Possibilidade de ensaio clínico

Apresentação de caso no tumor board

Pergunta clínica objetiva
Tipo histológico e variante
Estratificação de risco ATA / status de resposta
Status de iodo-avidez (ávido / refratário)
Tg ou calcitonina e cinética
Status de imagem (PCI, TC/RM, FDG PET)
Linha terapêutica atual
Histórico de tratamentos e respostas
Performance status
Sintomas
Opções aprovadas
Ensaios clínicos disponíveis
Limitações ou incertezas
Próximo passo proposto para discussão

Pré-terapia, preparo e acesso (RAI)

Relatório médico
Status pós-tireoidectomia
Preparo de TSH (suspensão de levotiroxina ou rhTSH)
Dieta hipoiódica
Tireoglobulina basal/estimulada
Exclusão de contraste iodado recente
Beta-hCG (mulheres em idade fértil)
Hemograma e função renal
Atividade de I-131 definida (conforme risco)
Orientações de radioproteção e isolamento
Consentimento institucional, se aplicável
Autorização
Agendamento (quarto plumbífero)
Plano de PCI pós-dose
Plano de seguimento (Tg, US, reestratificação)

Tumor Board Map — Câncer de Mama

Dos três subtipos moleculares (HR+/HER2−, HER2+, TNBC) e seus biomarcadores aos ADCs, ao conceito HER2-low e ao papel — sobretudo de imagem — da medicina nuclear.

1

Visão geral

O câncer de mama não é uma doença única: a conduta é definida pelo subtipo molecularHR+/HER2− (luminal), HER2+ e triplo-negativo (TNBC) — e pelo estádio (inicial/(neo)adjuvante vs avançado). Sobre esses eixos somam-se biomarcadores que abrem terapias dirigidas (BRCA, PIK3CA/AKT, ESR1, PD-L1) e o conceito de HER2-low/ultralow, que estendeu o trastuzumabe deruxtecana a tumores antes ditos HER2-negativos. A medicina nuclear contribui sobretudo com imagem molecular (FES, FDG, HER2-PET); a terapia com radiofármacos permanece investigacional.

2

Teoria essencial

Os três subtipos

Receptores hormonais (RE/RP), HER2 e a ausência dos três (TNBC) definem subtipos com biologia e tratamento distintos. O subtipo orienta toda a árvore de decisão — da (neo)adjuvância à doença avançada.

Receptor como alvo e como imagem

RE e HER2 são alvos terapêuticos e também alvos de imagem molecular: o 18F-FES mapeia o receptor de estrogênio e o 89Zr-trastuzumabe, o HER2 — um princípio análogo ao teranóstico, aqui sobretudo diagnóstico.

ADCs e o conceito HER2-low

Os conjugados anticorpo-fármaco (T-DXd anti-HER2; sacituzumabe govitecana anti-Trop-2) entregam quimioterapia dirigida. O T-DXd é ativo mesmo em expressão HER2 baixa (HER2-low/ultralow), criando uma categoria transversal aos subtipos.

O lugar da medicina nuclear

Na mama, a medicina nuclear é majoritariamente de imagem (FES, FDG, HER2-PET, FAPI; cintilografia óssea). A terapia com radiofármacos é investigacional — o rádio-223 em metástases ósseas foi negativo.

3

Perguntas do tumor board

As perguntas que estruturam a decisão em tumor board, agrupadas por eixo.

Subtipo e estádio
  • É HR+/HER2−, HER2+ ou TNBC?
  • Doença inicial/(neo)adjuvante ou avançada/metastática?
  • Há expressão HER2-low ou ultralow?
Biomarcadores
  • Mutação germinativa BRCA1/2?
  • PIK3CA / AKT1 / PTEN (HR+)?
  • ESR1 em ctDNA pós-progressão endócrina?
  • PD-L1 (CPS) no TNBC?
Imagem
  • Estadiamento sistêmico adequado ao risco?
  • Status de RE incerto/discordante — indicar FES PET?
  • Avaliação de resposta planejada?
Objetivo terapêutico
  • (Neo)adjuvância curativa, controle da doença avançada, ou inclusão em ensaio?
Segurança e acesso
  • FEVE e risco cardiovascular (anti-HER2/antraciclina)?
  • Glicemia (inibidor de PI3K/AKT)?
  • Acesso ao agente/ADC ou a protocolo de pesquisa?
4

Jornada terapêutica

A jornada depende de dois eixos: o subtipo molecular (HR+/HER2−, HER2+, TNBC) e o estádio (inicial/(neo)adjuvante vs avançado/metastático). Biomarcadores adicionais (BRCA, PIK3CA/AKT, ESR1, PD-L1) e o status HER2-low refinam a escolha dentro de cada cenário.

Inicial (neo)adjuvante
Avançado metastático
HR+/HER2−
HR+/HER2− inicial

Doença hormônio-sensível ressecável.

Tratamento típicoCirurgia · endócrino adjuvante (IA/tamoxifeno ± supressão ovariana) · CDK4/6 adjuvante (abemaciclibe/ribociclibe) no alto risco
HR+/HER2− avançado

Metastático hormônio-sensível.

Tratamento típicoEndócrino + CDK4/6 (1L) · depois alvos por biomarcador (PI3K/AKT, ESR1) e ADC
HER2+
HER2+ inicial

Doença HER2-amplificada ressecável.

Tratamento típicoQT + duplo bloqueio HER2 (trastuzumabe + pertuzumabe) neo/adjuvante · T-DM1 se doença residual · neratinibe estendido
HER2+ avançado

Metastático HER2+.

Tratamento típicoTHP/duplo bloqueio + taxano (1L) · T-DXd (2L) · tucatinibe + trastuzumabe + capecitabina (doença de SNC)
TNBC
TNBC inicial

Triplo-negativo de alto risco.

Tratamento típicoQT + pembrolizumabe (neo/adjuvante) · PARP adjuvante (olaparibe) se gBRCA
TNBC avançado

Metastático triplo-negativo.

Tratamento típicoPembrolizumabe + QT (PD-L1 CPS≥10) · ADC (sacituzumabe govitecana) · PARP (gBRCA)
Subtipo = RE/RP, HER2 (incl. HER2-low/ultralow) e Ki-67 definem a árvore de decisão.
Inicial vs avançado = doença ressecável/(neo)adjuvante vs metastática.

HER2-low e HER2-ultralow: tumores HER2 IHC 1+ ou 2+/ISH− (low) e IHC >0–<1+ (ultralow) — antes classificados como HER2-negativos — respondem ao trastuzumabe deruxtecana (T-DXd). DESTINY-Breast04 e 06 criaram essa categoria terapêutica transversal, sobretudo no HR+ pós-endócrino.

Medicina nuclear no câncer de mama: o papel é sobretudo na imagem molecular. O 18F-FES (Cerianna) mapeia a expressão do receptor de estrogênio, enquanto o FDG-PET e o HER2-PET contribuem para o estadiamento e a avaliação de resposta. A terapia com radiofármacos ainda é investigacional: o rádio-223 em metástases ósseas de câncer de mama teve resultados negativos, e radioligantes anti-HER2 e anti-FAP seguem em pesquisa.

Onde cada modalidade entra

Onde cada modalidade entra ao longo dos subtipos e cenários, com estudos reais. Clique para abrir a ficha; a lista completa está no Database.

1 · HR+/HER2− inicial — cirurgia + endócrino (± CDK4/6)

Endocrinoterapia adjuvante; supressão ovariana e CDK4/6 adjuvante no alto risco.

Endócrino / CDK4/6 adjuvante

2 · HR+/HER2− avançado — endócrino + CDK4/6, depois alvos

CDK4/6 + endócrino em 1L; depois PI3K/AKT, SERD oral e ADC conforme biomarcador.

Endócrino + alvos

3 · HER2+ inicial — duplo bloqueio (neo)adjuvante

QT + trastuzumabe + pertuzumabe; escalonamento com T-DM1 se doença residual.

Duplo bloqueio (neo)adjuvante

4 · HER2+ avançado — THP → T-DXd → tucatinibe

Duplo bloqueio + taxano em 1L; T-DXd em 2L; tucatinibe na doença de SNC.

Bloqueio HER2 + ADC

5 · TNBC — quimio + imunoterapia; PARP em gBRCA

Pembrolizumabe perioperatório e em 1L (CPS≥10); ADC e PARP nas linhas seguintes.

IO · ADC · PARP

6 · HER2-low / ultralow — T-DXd transversal

Trastuzumabe deruxtecana em tumores HER2-baixos, sobretudo HR+ pós-endócrino.

ADC anti-HER2 transversal

7 · Imagem molecular & radiofármacos

FES (receptor de estrogênio), HER2-PET e FAPI na imagem; rádio-223 investigacional (negativo).

Imagem · investigacional
5

Jornada do Paciente no Câncer de Mama

Do diagnóstico e subtipagem aos biomarcadores, à (neo)adjuvância, à doença avançada e ao papel da imagem molecular na decisão.

Esta seção tem finalidade educacional e de melhoria de jornada assistencial. Não define elegibilidade individual, não recomenda tratamento e não substitui julgamento médico, bula, guidelines, protocolos institucionais ou consulta às fontes primárias.

O cuidado eficaz depende de uma cadeia: definir o subtipo e os biomarcadores, decidir (neo)adjuvância, tratar a doença avançada por subtipo e reavaliar na progressão. As etapas abaixo mapeiam esse percurso.

1Diagnóstico e subtipo
ObjetivoDefinir histologia, grau e subtipo (RE/RP, HER2 incl. HER2-low/ultralow, Ki-67).
2Biomarcadores e estadiamento
ObjetivoTestar biomarcadores acionáveis e estadiar conforme o risco.
3Cirurgia e/ou neoadjuvância
ObjetivoDecidir entre tratamento neoadjuvante (frequente em HER2+ e TNBC) e cirurgia inicial.
4Terapia adjuvante
ObjetivoReduzir o risco de recidiva conforme o subtipo.
5Discussão em tumor board
ObjetivoIntegrar subtipo, biomarcadores, cardiotoxicidade, acesso e pesquisa.
6Doença avançada — 1ª linha por subtipo
ObjetivoDefinir a 1ª linha conforme subtipo e biomarcadores.
7Imagem molecular na decisão
ObjetivoEsclarecer status de RE/HER2 e avaliar resposta quando a imagem convencional é insuficiente.
8Linhas subsequentes e ensaios
ObjetivoSequenciar ADCs e alvos por biomarcador e avaliar inclusão em ensaios.

Gargalos da Jornada e Oportunidades de Otimização

10 gargalos + indicadores

Os indicadores abaixo são apresentados como métricas de melhoria institucional — não são metas promocionais nem comerciais, e devem ser adaptados ao contexto de cada serviço.

1 Subtipo/HER2-low não reavaliado na recidiva
ConsequênciaTerapia subótima por mudança de subtipo entre primário e metástase.
OportunidadeRebiópsia e reteste de RE/HER2 (incl. HER2-low) na recidiva.
Database% recidivas com rebiópsia/reteste
2 Teste germinativo de BRCA não solicitado
ConsequênciaPerda de PARP (adjuvante e avançado) e de aconselhamento genético.
OportunidadeTeste de gBRCA conforme critérios (TNBC, jovens, história familiar, alto risco).
Critérios% elegíveis testados para gBRCA
3 PIK3CA / AKT / ESR1 não testados na progressão
ConsequênciaPerda de alvos (alpelisibe, capivasertibe, elacestrante).
OportunidadeNGS/ctDNA na progressão endócrina do HR+.
Database% HR+ avançados com NGS/ctDNA
4 PD-L1 (CPS) não avaliado no TNBC
ConsequênciaPerde imunoterapia de 1ª linha (CPS≥10).
OportunidadeCPS de rotina no TNBC metastático antes da 1ª linha.
Evidências% mTNBC com CPS avaliado
5 FEVE não monitorada em anti-HER2/antraciclina
ConsequênciaCardiotoxicidade reconhecida tardiamente.
OportunidadeFEVE basal e seriada; cardio-oncologia conforme risco.
Avaliação clínica% com FEVE seriada documentada
6 Pneumonite/DPI do T-DXd subnotificada
ConsequênciaToxicidade pulmonar grave reconhecida tarde.
OportunidadeVigilância de DPI (sintomas, TC) e algoritmo de manejo/suspensão.
CTCAE% em T-DXd com vigilância de DPI
7 Status de RE incerto/discordante
ConsequênciaDecisão endócrina insegura em lesões de difícil biópsia.
OportunidadeFES PET nos casos equívocos, com suspensão prévia de tamoxifeno/SERD.
18F-FES% casos equívocos com FES
8 Dados incompletos para tumor board
ConsequênciaDiscussão improdutiva; decisões adiadas.
OportunidadeChecklist pré-board; apresentação padronizada.
Checklist% casos com checklist completo
9 Toxicidade de classe mal manejada
ConsequênciaDescontinuação por diarreia (TKI) ou hiperglicemia (PI3K/AKT).
OportunidadeProtocolos de manejo proativo e graduação por CTCAE.
CTCAE% ciclos com monitoramento no prazo
10 Reavaliação tardia na progressão
ConsequênciaAtraso na próxima linha ou em ensaio.
OportunidadeReestadiamento estruturado e integração com Trial Matcher.
Trial Matcher% reavaliados / avaliados para ensaio

Onde a imagem molecular agrega na mama

6 cenários

Lista educacional dos cenários em que a imagem molecular pode contribuir. O que é APROVADO vs INVESTIGACIONAL está explícito — a interpretação final é sempre clínica e multidisciplinar.

18F-FES (Cerianna, aprovado): confirma RE em lesões de difícil biópsia e avalia discordância/heterogeneidade
18F-FDG PET/CT: estadiamento sistêmico em doença localmente avançada/metastática
89Zr-trastuzumabe HER2-PET (investigacional): mapeia expressão e heterogeneidade de HER2
68Ga-FAPI PET (investigacional): detecção tumoral/estromal, útil em lesões pouco ávidas por FDG
Cintilografia óssea / 18F-NaF: avaliação de doença óssea
Rádio-223 (investigacional em mama, ensaios negativos): não recomendado fora de protocolo
6

Mapa de evidências

Cenários clínicos e os estudos-chave associados. Clique em um estudo para abrir sua ficha no Database.

Cenário A · HR+/HER2− avançado
Endócrino + CDK4/6 e alvos

CDK4/6 + endócrino em 1L; após progressão, alvos por biomarcador (PIK3CA, AKT, ESR1).

Cenário B · HER2+ avançado
Bloqueio HER2 e ADC

Duplo bloqueio + taxano em 1L; T-DXd em 2L; tucatinibe com atividade em metástases cerebrais.

Cenário C · HER2-low / ultralow
T-DXd transversal aos subtipos

Trastuzumabe deruxtecana em tumores HER2-baixos, sobretudo HR+ após terapia endócrina.

Cenário D · TNBC e BRCA
Imunoterapia, ADC e PARP

Pembrolizumabe perioperatório/1L (CPS≥10); ADC anti-Trop-2; PARP em gBRCA.

Cenário E · imagem & radiofármacos
Sobretudo diagnóstico

FES (RE) e HER2-PET na caracterização; rádio-223 terapêutico foi negativo em mama.

7

Estudos-chave

Desenho dos principais estudos. Resultados, desfechos e toxicidades ficam na ficha de cada um no Database — este mapa não reproduz hazard ratios, valores de p ou taxas de resposta.

MONALEESA-2HR+ avançado · CDK4/6 1L
PopulaçãoHR+/HER2− avançado, pós-menopausa, 1ª linha.
Intervenção / comparadorRibociclibe + letrozol vs placebo + letrozol.

CDK4/6 + IA como padrão de 1ª linha.

SOLAR-1HR+ · PIK3CA-mutado
PopulaçãoHR+/HER2− avançado PIK3CA-mutado, pós-IA.
Intervenção / comparadorAlpelisibe + fulvestranto vs placebo + fulvestranto.

1ª terapia dirigida a PIK3CA em mama.

CAPItello-291HR+ · via AKT
PopulaçãoHR+/HER2− avançado após progressão endócrina.
Intervenção / comparadorCapivasertibe + fulvestranto vs placebo + fulvestranto.

Inibição de AKT em PIK3CA/AKT1/PTEN alterados.

CLEOPATRAHER2+ avançado · 1L
PopulaçãoHER2+ metastático, 1ª linha.
Intervenção / comparadorPertuzumabe + trastuzumabe + docetaxel vs placebo + trastuzumabe + docetaxel.

Duplo bloqueio HER2 + taxano como padrão de 1L.

DESTINY-Breast03HER2+ avançado · 2L
PopulaçãoHER2+ metastático após trastuzumabe e taxano.
Intervenção / comparadorT-DXd vs T-DM1.

T-DXd estabelecido como padrão de 2ª linha.

HER2CLIMBHER2+ · metástases cerebrais
PopulaçãoHER2+ metastático pré-tratado, incluindo doença de SNC.
Intervenção / comparadorTucatinibe + trastuzumabe + capecitabina vs placebo + trastuzumabe + capecitabina.

Benefício prospectivo em metástases cerebrais ativas.

DESTINY-Breast04HER2-low
PopulaçãoMetastático HER2-low (IHC 1+ ou 2+/ISH−), pré-tratado.
Intervenção / comparadorT-DXd vs quimioterapia de escolha do médico.

Criou a categoria terapêutica HER2-low.

KEYNOTE-522TNBC inicial · perioperatório
PopulaçãoTNBC inicial de alto risco.
Intervenção / comparadorPembrolizumabe neoadjuvante + adjuvante + quimio vs quimio neoadjuvante isolada.

Imunoterapia perioperatória padrão no TNBC de alto risco.

ASCENTTNBC avançado · ADC
PopulaçãoTNBC metastático pré-tratado.
Intervenção / comparadorSacituzumabe govitecana vs quimioterapia de escolha do médico.

ADC anti-Trop-2 no TNBC avançado.

OlympiAgBRCA · adjuvante
PopulaçãoMama inicial HER2-negativa de alto risco com gBRCA.
Intervenção / comparadorOlaparibe adjuvante (1 ano) vs placebo.

PARP adjuvante em gBRCA de alto risco.

18F-FES PETimagem do RE · aprovado
PopulaçãoMama recorrente/metastática com status de RE a esclarecer.
ModalidadeFluoroestradiol F-18 (Cerianna) vs IHC do RE.

Imagem do receptor de estrogênio como adjunto à biópsia.

8

Trial Lineage — publicações secundárias e análises derivadas

Um estudo pivotal raramente é uma publicação única: gera uma família de evidências — follow-ups, subgrupos, qualidade de vida, segurança, biomarcadores e abstracts de congresso.

O Trial Lineage de mama está em desenvolvimento — as publicações secundárias serão conectadas ao catálogo. Por ora, as fichas completas, com citações e links oficiais, estão no Database.

9

Critérios práticos de discussão

Checklist clínico a revisar antes de discutir uma decisão sistêmica.

Dados clínicos
  • Idade e status menopausal
  • ECOG / Karnofsky
  • Sintomas
  • Comorbidades
  • Objetivo terapêutico
Histológico e molecular
  • Subtipo (RE/RP, HER2, Ki-67)
  • HER2-low / ultralow
  • BRCA germinativo
  • PIK3CA / AKT1 / PTEN
  • ESR1 (ctDNA)
  • PD-L1 (CPS) no TNBC
Imagem
  • Estadiamento sistêmico conforme risco
  • FES PET, se RE incerto
  • HER2-PET/FAPI em pesquisa
  • Avaliação de resposta (RECIST)
Segurança
  • FEVE e risco cardiovascular
  • Glicemia/HbA1c (PI3K/AKT)
  • Vigilância de DPI (T-DXd)
  • Hemograma e função renal/hepática
Acesso e pesquisa
  • Disponibilidade do agente/ADC
  • Necessidade de teste molecular
  • Possibilidade de inclusão em trial
  • Encaminhamento
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Ensaios clínicos ativos relacionados

Ensaios em andamento ou recrutando em câncer de mama — ADCs, alvos por biomarcador (PI3K/AKT, ESR1/SERDs orais), imunoterapia, PARP e imagem molecular. A elegibilidade final depende sempre do protocolo oficial e do centro responsável.

11

Guidelines e referências

As recomendações sistêmicas em câncer de mama seguem diretrizes oncológicas internacionais (NCCN, ESMO, ASCO) e nacionais — referências externas, não hospedadas aqui. A biblioteca de guidelines do TheraTrials cobre os radiofármacos; abaixo, os estudos de imagem molecular mais relevantes para a mama.

12

Ferramentas úteis

Calculadoras e critérios já disponíveis na página de Ferramentas.

13

Checklists

Três listas de itens para revisão — organização do caso, não critérios de elegibilidade (a avaliação formal cabe à equipe responsável). Cada uma pode ser copiada em texto.

Encaminhamento para discussão multidisciplinar (mama)

Diagnóstico histológico e grau
Subtipo: RE/RP, HER2 (incl. HER2-low/ultralow), Ki-67
Estadiamento (TNM/AJCC)
Status menopausal
Mutação germinativa BRCA1/2
PIK3CA / AKT1 / PTEN (HR+)
ESR1 em ctDNA (pós-progressão endócrina)
PD-L1 (CPS no TNBC)
Imagem locorregional (mamografia/US/RM)
Estadiamento sistêmico conforme risco
FES PET, se status de RE for incerto
Tratamentos prévios e respostas
ECOG / Karnofsky
FEVE e comorbidades cardiovasculares
Objetivo da discussão
Possibilidade de ensaio clínico

Apresentação de caso no tumor board

Pergunta clínica objetiva
Subtipo molecular e estádio
Biomarcadores (BRCA, PIK3CA/AKT/PTEN, ESR1, PD-L1, HER2-low)
Cenário: inicial/(neo)adjuvante vs avançado
Linha terapêutica atual
Histórico de tratamentos e resposta/toxicidade
FEVE e status cardiovascular
Status de imagem (locorregional e sistêmica)
Performance status
Sintomas
Opções aprovadas
Ensaios clínicos disponíveis
Limitações ou incertezas
Próximo passo proposto para discussão

Pré-tratamento sistêmico, biomarcadores e acesso

Relatório médico
Confirmação de subtipo e biomarcadores
FEVE basal (antes de anti-HER2/antraciclina)
Hemograma
Função renal e hepática
Glicemia/HbA1c (antes de inibidor de PI3K/AKT)
Avaliação de fertilidade e teste de gravidez
Avaliação cardiovascular
Acesso venoso / portacath, se necessário
Consentimento institucional, se aplicável
Plano de manejo de toxicidades de classe (DPI/diarreia/hiperglicemia/imuno)
Autorização
Agendamento
Logística do agente / ADC
Plano de seguimento e avaliação de resposta

Tumor Board Map — Câncer de Pulmão

Do NSCLC guiado por driver molecular e PD-L1 ao perioperatório, ao estágio III e ao SCLC — incluindo o alvo emergente DLL3 e os radioligantes (DLL3/FAPI) em desenvolvimento.

1

Visão geral

O câncer de pulmão divide-se em não-pequenas células (NSCLC) e pequenas células (SCLC), com lógicas terapêuticas distintas. No NSCLC, a primeira pergunta é molecular: a presença de um driver acionável (EGFR, ALK, ROS1, RET, MET, KRAS G12C, HER2, BRAF, NTRK) direciona para terapia-alvo; sua ausência, somada ao PD-L1, orienta a imunoterapia. Some-se a isso o estádio — ressecável, estágio III irressecável (quimiorradiação + consolidação) e metastático. No SCLC, a base é quimioterapia-platina com imunoterapia, e o alvo emergente é o DLL3. A medicina nuclear contribui com o FDG-PET no estadiamento e com radioligantes (DLL3/FAPI) em pesquisa.

2

Teoria essencial

Driver molecular como porta

No NSCLC, o NGS abrangente busca drivers acionáveis. Cada alteração tem um inibidor próprio — do osimertinibe (EGFR) ao selpercatinibe (RET) — e geralmente contraindica a imunoterapia isolada de 1ª linha.

PD-L1 e imunoterapia

Na ausência de driver, o PD-L1 (TPS) e a histologia orientam a 1ª linha: imunoterapia isolada em PD-L1 alto, ou combinada à quimioterapia. Também ancora o perioperatório e a consolidação no estágio III.

Estádio define a estratégia

Ressecável (cirurgia ± perioperatório), estágio III irressecável (quimiorradiação + consolidação com durvalumab) e metastático seguem caminhos distintos — e a decisão é multidisciplinar.

DLL3 e os radioligantes

No SCLC, o DLL3 é o alvo emergente: o tarlatamab (BiTE anti-DLL3) já é aprovado em 2ª linha, e radioligantes anti-DLL3 (177Lu/225Ac) e anti-FAP (FAPI) estão em desenvolvimento clínico inicial.

3

Perguntas do tumor board

As perguntas que estruturam a decisão em tumor board, agrupadas por eixo.

Histologia e estádio
  • É NSCLC (escamoso/não-escamoso) ou SCLC?
  • Qual o estádio (I–IV)?
  • Ressecável, estágio III irressecável ou metastático?
Biomarcadores
  • Há driver acionável (EGFR, ALK, ROS1, RET, MET ex14, KRAS G12C, HER2, BRAF, NTRK)?
  • Qual o PD-L1 (TPS)?
  • NGS abrangente foi realizado?
Imagem e estadiamento
  • FDG-PET/CT e RM de crânio realizados?
  • Confirmação invasiva do mediastino, quando indicada?
  • Avaliação de resposta planejada (incl. SNC)?
Objetivo terapêutico
  • Curativo (ressecável/estágio III) ou controle da doença metastática? Inclusão em ensaio?
Segurança e acesso
  • Função pulmonar/cardíaca e risco de pneumonite?
  • Disponibilidade do TKI/ADC/imunoterapia ou de protocolo de pesquisa?
4

Jornada terapêutica

A jornada depende de dois eixos: a biologia (NSCLC com driver, NSCLC sem driver guiado por PD-L1, ou SCLC) e o estádio (localizado/perioperatório vs avançado/metastático). O estágio III irressecável tem um caminho próprio: quimiorradiação seguida de consolidação.

Localizado perioperatório (I–III)
Avançado metastático (IV)
NSCLC com driver
NSCLC driver+ localizado

Doença ressecável com driver acionável.

Tratamento típicoCirurgia · TKI adjuvante guiado por driver (osimertinibe no EGFR; alectinibe no ALK) · quimioterapia (neo)adjuvante
NSCLC driver+ avançado

Metastático com driver acionável.

Tratamento típicoTKI/ADC dirigido por driver (EGFR, ALK, ROS1, RET, MET, KRAS G12C, HER2, NTRK)
NSCLC sem driver
NSCLC sem driver localizado

Ressecável ou estágio III irressecável, guiado por PD-L1.

Tratamento típicoIO + QT perioperatório/adjuvante · estágio III irressecável: quimiorradiação + consolidação com durvalumab
NSCLC sem driver avançado

Metastático sem driver, guiado por PD-L1 e histologia.

Tratamento típicoImunoterapia isolada (PD-L1 alto) ou imunoterapia + quimioterapia
SCLC
SCLC limitado

Doença limitada (limited-stage).

Tratamento típicoQuimiorradiação concomitante · consolidação com durvalumab · ICP conforme indicação
SCLC extenso

Doença extensa (extensive-stage).

Tratamento típicoQuimioterapia-platina + imunoterapia (1L) · tarlatamab (DLL3) em 2L · radioligante DLL3 investigacional
Biologia = driver acionável (NGS) vs PD-L1 no NSCLC; SCLC como entidade própria.
Localizado vs avançado = ressecável/estágio III vs metastático (estágio IV).

Driver molecular (porta da terapia-alvo): NGS abrangente e PD-L1 antes da 1ª linha. A presença de driver acionável direciona para TKI/ADC; a ausência, para imunoterapia ± quimioterapia guiada por PD-L1 — e a imunoterapia isolada costuma ser evitada em tumores com driver.

Teranóstico em pulmão: o FDG-PET é central no estadiamento. O alvo emergente é o DLL3 no SCLC — o tarlatamab (BiTE anti-DLL3) já é aprovado em 2ª linha, e radioligantes anti-DLL3 (177Lu/225Ac) e anti-FAP (FAPI) estão em desenvolvimento clínico inicial.

Onde cada modalidade entra

Onde cada modalidade entra ao longo da biologia e do estádio, com estudos reais. Clique para abrir a ficha; a lista completa está no Database.

1 · NSCLC driver+ localizado — TKI adjuvante

Cirurgia e terapia-alvo adjuvante guiada por driver (EGFR, ALK).

TKI adjuvante por driver

2 · NSCLC driver+ avançado — terapia-alvo

TKI/ADC dirigido por driver na doença metastática.

Terapia-alvo por driver

3 · NSCLC sem driver — perioperatório

Imunoterapia + quimioterapia neoadjuvante/perioperatória e adjuvante.

IO perioperatória

4 · NSCLC estágio III irressecável — consolidação

Quimiorradiação seguida de consolidação (durvalumab; osimertinibe no EGFR).

Quimiorradiação + consolidação

5 · NSCLC sem driver avançado — imunoterapia 1L

Imunoterapia isolada (PD-L1 alto) ou combinada à quimioterapia por histologia.

Imunoterapia ± quimio

6 · SCLC — quimio-imunoterapia e DLL3

Platina + imunoterapia (extenso); consolidação no limitado; tarlatamab (DLL3) em 2L.

Platina-IO · DLL3

7 · Radiofármacos & imagem molecular

Radioligantes anti-DLL3 (SCLC) e anti-FAP (FAPI) em desenvolvimento; FDG/FAPI na imagem.

Radioligante · investigacional
5

Jornada do Paciente no Câncer de Pulmão

Do diagnóstico e perfil molecular ao estadiamento, à decisão por estágio, ao tratamento e à reavaliação na progressão.

Esta seção tem finalidade educacional e de melhoria de jornada assistencial. Não define elegibilidade individual, não recomenda tratamento e não substitui julgamento médico, bula, guidelines, protocolos institucionais ou consulta às fontes primárias.

O cuidado eficaz depende de uma cadeia: definir histologia e driver, estadiar (incluindo o SNC), decidir por estágio, tratar conforme a biologia e reavaliar na progressão. As etapas abaixo mapeiam esse percurso.

1Diagnóstico e histologia
ObjetivoConfirmar histologia (NSCLC escamoso/não-escamoso vs SCLC) com amostra adequada para molecular.
2Biomarcadores (NGS e PD-L1)
ObjetivoIdentificar driver acionável e quantificar o PD-L1 antes da 1ª linha.
3Estadiamento (incl. SNC)
ObjetivoDefinir o estádio TNM com imagem completa e confirmação mediastinal quando indicada.
4Decisão por estágio
ObjetivoDefinir a estratégia conforme ressecabilidade e biologia.
5Discussão em tumor board
ObjetivoIntegrar histologia, driver/PD-L1, estádio, função pulmonar, acesso e pesquisa.
6Tratamento por cenário
ObjetivoExecutar a estratégia definida (terapia-alvo, imunoterapia, quimiorradiação + consolidação, ou quimio-IO no SCLC).
7Avaliação de resposta
ObjetivoAvaliar resposta sistêmica e do SNC e vigiar toxicidades (pneumonite/irAE).
8Progressão, próxima linha e ensaios
ObjetivoCaracterizar a resistência (rebiópsia/ctDNA) e definir a próxima linha ou inclusão em ensaio.

Gargalos da Jornada e Oportunidades de Otimização

10 gargalos + indicadores

Os indicadores abaixo são apresentados como métricas de melhoria institucional — não são metas promocionais nem comerciais, e devem ser adaptados ao contexto de cada serviço.

1 NGS incompleto ou início de tratamento antes do resultado
ConsequênciaDriver acionável perdido; imunoterapia indevida em tumor com driver.
OportunidadeNGS abrangente reflexo, com turnaround monitorado, antes da 1ª linha.
Critérios% com NGS completo antes da 1ª linha
2 PD-L1 não avaliado
ConsequênciaEscolha imprecisa da imunoterapia de 1ª linha.
OportunidadePD-L1 (TPS) de rotina no NSCLC avançado sem driver.
Evidências% NSCLC sem driver com PD-L1
3 Amostra insuficiente para molecular
ConsequênciaRebiópsia ou ausência de perfil molecular.
OportunidadePriorizar amostra adequada; ctDNA complementar quando indicado.
Database% amostras adequadas para NGS
4 Estadiamento de SNC ausente
ConsequênciaMetástases cerebrais não detectadas alteram o tratamento.
OportunidadeRM de crânio no estadiamento conforme estágio/histologia.
Estadiamento% estadiados com imagem de SNC
5 Pneumonite por imunoterapia subnotificada
ConsequênciaToxicidade pulmonar grave reconhecida tarde.
OportunidadeVigilância de pneumonite e algoritmo de manejo/suspensão.
CTCAE% em IO com vigilância de pneumonite
6 Consolidação no estágio III não ofertada
ConsequênciaPerde-se a consolidação após quimiorradiação (durvalumab; osimertinibe no EGFR).
OportunidadeEncaminhamento estruturado pós-quimiorradiação para consolidação.
PACIFIC% estágio III com consolidação avaliada
7 Reavaliação de resistência ausente na progressão
ConsequênciaPróxima linha sem caracterizar o mecanismo (ex. MET, transformação).
OportunidadeRebiópsia/ctDNA na progressão de terapia-alvo.
Database% progressões com reavaliação molecular
8 Toxicidade de classe mal manejada
ConsequênciaDescontinuação por cutânea/diarreia (EGFR-TKI) ou irAE.
OportunidadeProtocolos de manejo proativo e graduação por CTCAE.
CTCAE% ciclos com monitoramento no prazo
9 SCLC sem reavaliação para 2ª linha
ConsequênciaAtraso no tarlatamab (DLL3) ou em ensaio.
OportunidadeReavaliação estruturada na progressão do SCLC.
DeLLphi-301% SCLC reavaliados para 2ª linha
10 Encaminhamento tardio para ensaio/radioligante
ConsequênciaPerde-se a janela para protocolos (incl. radioligantes DLL3/FAPI).
OportunidadeIntegração precoce com Trial Matcher na doença avançada.
Trial Matcher% avançados avaliados para ensaio

Onde a imagem molecular e o teranóstico agregam no pulmão

6 cenários

Lista educacional dos cenários em que a imagem molecular e os radiofármacos podem contribuir. O que é APROVADO vs INVESTIGACIONAL está explícito — a interpretação final é sempre clínica e multidisciplinar.

18F-FDG PET/CT (padrão): estadiamento e avaliação de resposta no NSCLC e SCLC
RM de crânio: rastreio de metástases do SNC (não-nuclear, mas essencial ao estadiamento)
Cintilografia óssea / 18F-NaF: avaliação de doença óssea quando indicado
68Ga-FAPI PET (investigacional): detecção tumoral/estromal, útil em lesões pouco ávidas por FDG
Imagem/terapia anti-DLL3 (investigacional): alvo emergente no SCLC (tarlatamab aprovado; radioligante em pesquisa)
Radioligantes 177Lu/225Ac (DLL3, FAPI) (investigacional): em desenvolvimento clínico inicial — fora de protocolo, não recomendados
6

Mapa de evidências

Cenários clínicos e os estudos-chave associados. Clique em um estudo para abrir sua ficha no Database.

Cenário A · NSCLC com driver
Terapia-alvo dirigida

Cada driver tem seu inibidor; o NGS antecede a decisão de 1ª linha.

Cenário B · NSCLC sem driver avançado
Imunoterapia ± quimioterapia

PD-L1 alto: imunoterapia isolada; caso contrário, combinada à quimioterapia por histologia.

Cenário C · perioperatório e estágio III
IO peri/adjuvante e consolidação

IO neoadjuvante/perioperatória na doença ressecável; consolidação após quimiorradiação no estágio III.

Cenário D · SCLC
Quimio-imunoterapia e DLL3

Platina + imunoterapia em 1L; consolidação no limitado; tarlatamab (DLL3) em 2L.

Cenário E · radiofármacos & imagem
DLL3 e FAPI em desenvolvimento

Radioligantes anti-DLL3 (SCLC) e anti-FAP em fases iniciais; FDG/FAPI na imagem.

7

Estudos-chave

Desenho dos principais estudos. Resultados, desfechos e toxicidades ficam na ficha de cada um no Database — este mapa não reproduz hazard ratios, valores de p ou taxas de resposta.

FLAURAEGFR · 1L
PopulaçãoNSCLC avançado EGFR-mutado, 1ª linha.
Intervenção / comparadorOsimertinibe vs EGFR-TKI de 1ª geração.

Osimertinibe como padrão de 1ª linha no EGFR.

ALEXALK · 1L
PopulaçãoNSCLC avançado ALK-positivo, 1ª linha.
Intervenção / comparadorAlectinibe vs crizotinibe.

TKI de nova geração com controle de SNC no ALK.

CodeBreaK 200KRAS G12C
PopulaçãoNSCLC KRAS G12C pré-tratado.
Intervenção / comparadorSotorasibe vs docetaxel.

Inibição direta de KRAS G12C após progressão.

KEYNOTE-024IO 1L · PD-L1 ≥50%
PopulaçãoNSCLC avançado sem driver, PD-L1 ≥50%.
Intervenção / comparadorPembrolizumabe vs quimioterapia.

Imunoterapia isolada no PD-L1 alto.

KEYNOTE-189IO + QT · não-escamoso
PopulaçãoNSCLC não-escamoso avançado sem driver, 1ª linha.
Intervenção / comparadorPembrolizumabe + pemetrexede + platina vs quimioterapia.

Quimio-imunoterapia padrão no não-escamoso.

CheckMate-816neoadjuvante
PopulaçãoNSCLC ressecável (estágios II–IIIA).
Intervenção / comparadorNivolumabe + quimioterapia neoadjuvante vs quimioterapia.

Imunoterapia neoadjuvante no ressecável.

PACIFICestágio III · consolidação
PopulaçãoNSCLC estágio III irressecável sem progressão após quimiorradiação.
Intervenção / comparadorDurvalumabe de consolidação vs placebo.

Consolidação com durvalumab após quimiorradiação.

LAURAestágio III · EGFR
PopulaçãoNSCLC estágio III irressecável EGFR-mutado pós-quimiorradiação.
Intervenção / comparadorOsimertinibe de consolidação vs placebo.

Consolidação dirigida por driver no estágio III EGFR.

ADAURAEGFR · adjuvante
PopulaçãoNSCLC EGFR-mutado ressecado (IB–IIIA).
Intervenção / comparadorOsimertinibe adjuvante vs placebo.

Terapia-alvo adjuvante no EGFR ressecado.

IMpower133SCLC extenso · 1L
PopulaçãoSCLC de doença extensa, 1ª linha.
Intervenção / comparadorAtezolizumabe + etoposídeo-platina vs quimioterapia.

Quimio-imunoterapia no SCLC extenso.

ADRIATICSCLC limitado · consolidação
PopulaçãoSCLC de doença limitada sem progressão após quimiorradiação.
Intervenção / comparadorDurvalumabe de consolidação vs placebo.

Consolidação com durvalumab no SCLC limitado.

DeLLphi-301SCLC · DLL3 (BiTE)
PopulaçãoSCLC pré-tratado (≥2ª linha).
IntervençãoTarlatamab (BiTE anti-DLL3).

Validação clínica do DLL3 como alvo no SCLC.

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Trial Lineage — publicações secundárias e análises derivadas

Um estudo pivotal raramente é uma publicação única: gera uma família de evidências — follow-ups, subgrupos, qualidade de vida, segurança, biomarcadores e abstracts de congresso.

O Trial Lineage de pulmão está em desenvolvimento — as publicações secundárias serão conectadas ao catálogo. Por ora, as fichas completas, com citações e links oficiais, estão no Database.

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Critérios práticos de discussão

Checklist clínico a revisar antes de discutir uma decisão sistêmica.

Dados clínicos
  • Idade e tabagismo
  • ECOG / Karnofsky
  • Sintomas
  • Comorbidades
  • Função pulmonar
  • Objetivo terapêutico
Histológico e molecular
  • Histologia (NSCLC escamoso/não-escamoso vs SCLC)
  • Driver (EGFR, ALK, ROS1, RET, MET ex14, KRAS G12C, HER2, BRAF, NTRK)
  • PD-L1 (TPS)
  • NGS abrangente
  • Tratamentos prévios
Imagem e estadiamento
  • TNM e estágio
  • FDG-PET/CT
  • RM de crânio
  • Confirmação mediastinal, quando indicada
  • Avaliação de resposta (RECIST)
Segurança
  • Função pulmonar e cardíaca
  • Risco de pneumonite/ILD
  • Hemograma e função renal/hepática
  • Toxicidades de classe (irAE, EGFR-TKI)
Acesso e pesquisa
  • Disponibilidade do TKI/ADC/imunoterapia
  • Necessidade de teste molecular
  • Possibilidade de inclusão em trial (incl. radioligantes)
  • Encaminhamento
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Ensaios clínicos ativos relacionados

Ensaios em andamento ou recrutando em câncer de pulmão — terapia-alvo por driver, imunoterapia, perioperatório, SCLC e radiofármacos/alvos emergentes (DLL3, FAPI). A elegibilidade final depende sempre do protocolo oficial e do centro responsável.

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Guidelines e referências

As recomendações sistêmicas em câncer de pulmão seguem diretrizes oncológicas internacionais (NCCN, ESMO, ASCO) e nacionais — referências externas, não hospedadas aqui. A biblioteca de guidelines do TheraTrials cobre os radiofármacos; abaixo, os programas de radioligantes e imagem molecular mais relevantes para o pulmão.

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Ferramentas úteis

Calculadoras e critérios já disponíveis na página de Ferramentas.

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Checklists

Três listas de itens para revisão — organização do caso, não critérios de elegibilidade (a avaliação formal cabe à equipe responsável). Cada uma pode ser copiada em texto.

Encaminhamento para discussão multidisciplinar (pulmão)

Diagnóstico histológico (NSCLC escamoso/não-escamoso vs SCLC)
Estadiamento TNM e estágio (I–IV)
Painel molecular (EGFR, ALK, ROS1, RET, MET ex14, KRAS G12C, HER2, BRAF, NTRK)
PD-L1 (TPS)
NGS abrangente solicitado
Status de ressecabilidade
Função pulmonar (espirometria/DLCO)
Imagem (TC, PET/CT, RM de crânio)
Adequação da amostra (biópsia/citologia)
Tratamentos prévios e respostas
ECOG / Karnofsky
Tabagismo e comorbidades
Objetivo da discussão
Possibilidade de ensaio clínico

Apresentação de caso no tumor board

Pergunta clínica objetiva
Histologia (NSCLC/SCLC) e estágio
Driver molecular e PD-L1
Cenário: ressecável vs irressecável (estágio III) vs metastático
Linha terapêutica atual
Histórico de tratamentos e resposta/toxicidade
Status de imagem (incl. SNC)
Performance status
Sintomas
Opções aprovadas
Ensaios clínicos disponíveis
Limitações ou incertezas
Próximo passo proposto para discussão

Pré-tratamento sistêmico, biomarcadores e acesso

Relatório médico
Confirmação de histologia e driver molecular
NGS completo e PD-L1
Imagem de SNC (RM de crânio)
Função pulmonar e cardíaca
Hemograma
Função renal e hepática
Avaliação de pneumonite/doença intersticial prévia
Acesso venoso, se necessário
Consentimento institucional, se aplicável
Plano de manejo de toxicidades de classe (irAE; EGFR-TKI; pneumonite)
Autorização
Agendamento
Logística do agente / radiofármaco
Plano de seguimento e avaliação de resposta

Tumor Board Map — Meningioma

Da graduação OMS e da cirurgia à radioterapia e ao teranóstico do receptor de somatostatina — 68Ga-DOTATATE PET e PRRT (177Lu/90Y) — passando pela escassa, mas crescente, terapia sistêmica e de precisão.

1

Visão geral

O meningioma é o tumor primário do SNC mais comum e, na maioria, grau 1 (OMS) e curável com cirurgia. A complexidade está nos tumores de grau 2 (atípico) e grau 3 (anaplásico), que recidivam, e nas lesões irressecáveis de base de crânio. A base do tratamento é cirurgia e radioterapia; a terapia sistêmica é limitada e largamente investigacional. É aqui que o meningioma se torna um caso teranóstico de interesse: ele expressa fortemente o receptor de somatostatina (SSTR2), o que sustenta o 68Ga-DOTATATE PET (imagem e planejamento de RT) e a PRRT (177Lu/90Y-DOTATATE/DOTATOC) no cenário recorrente — promissora, sobretudo no grau 1, mas ainda sem aprovação.

2

Teoria essencial

SSTR2 como alvo teranóstico

O meningioma expressa SSTR2 de forma intensa e difusa. O 68Ga-DOTATATE/DOTATOC mapeia essa avidez (imagem) e o mesmo vetor marcado com 177Lu/90Y entrega radiação dirigida (PRRT) — o princípio teranóstico clássico.

Graduação OMS define o risco

Grau 1 (benigno), grau 2 (atípico) e grau 3 (anaplásico) — definidos por mitoses, invasão cerebral e, cada vez mais, por classes de metilação. O grau orienta a necessidade de radioterapia e o risco de recidiva.

Cirurgia e radioterapia como base

A extensão da ressecção (grau de Simpson) é o principal fator prognóstico. A radioterapia (fracionada ou radiocirurgia) trata o resíduo, o grau 2/3 e as lesões irressecáveis; o DOTATATE PET refina o alvo.

Sistêmico limitado, precisão emergente

Não há terapia sistêmica aprovada. Bevacizumabe e CEVOREM (everolimo+octreotídeo) estabilizam; a trabectedina foi negativa. A precisão (FAK em NF2-mutado) e a PRRT são as fronteiras investigacionais.

3

Perguntas do tumor board

As perguntas que estruturam a decisão em tumor board, agrupadas por eixo.

Grau e ressecção
  • Qual o grau OMS (1/2/3)?
  • Qual a extensão da ressecção (Simpson)?
  • Há doença residual ou irressecável?
Imagem e SSTR
  • A lesão é SSTR-ávida (DOTATATE PET / Krenning)?
  • O DOTATATE PET refina o alvo de RT?
  • Há suspeita de desdiferenciação (FDG)?
Cenário e tratamentos prévios
  • Doença inicial ou recorrente/refratária?
  • Radioterapia prévia e margem de retratamento?
  • Taxa de crescimento (volumetria)?
Objetivo terapêutico
  • Controle local definitivo, controle da doença recorrente ou inclusão em ensaio (incl. PRRT)?
Segurança e acesso
  • Função renal (relevante para PRRT) e hemograma?
  • Mutações acionáveis (NF2, SMO, AKT1)?
  • Acesso a PRRT ou a protocolo de pesquisa?
4

Jornada terapêutica

A jornada depende de dois eixos: o grau OMS (1, 2 atípico, 3 anaplásico) e o cenário (inicial — cirurgia ± radioterapia — vs recorrente/refratário). A SSTR-avidez ao DOTATATE PET é o eixo transversal que abre a imagem dirigida e a candidatura à PRRT.

Inicial cirurgia ± RT
Recorrente refratário
Grau 1
Grau 1 inicial

Meningioma benigno, frequentemente curável.

Conduta típicaCirurgia (Simpson) ou observação de lesões pequenas/assintomáticas · SRS/RT se residual ou sintomático
Grau 1 recorrente

Recidiva após cirurgia/RT.

Conduta típicaRe-cirurgia ou radiocirurgia · PRRT investigacional se SSTR-ávido (mais ativa no grau 1)
Grau 2 atípico
Grau 2 inicial

Atípico, com maior risco de recidiva.

Conduta típicaCirurgia + radioterapia conforme extensão da ressecção (papel da RT adjuvante em estudo — ROAM)
Grau 2 recorrente

Recidiva de doença atípica.

Conduta típicaRe-radioterapia · salvage sistêmico (bevacizumabe, CEVOREM) · PRRT · ensaio clínico
Grau 3 anaplásico
Grau 3 inicial

Anaplásico/maligno, agressivo.

Conduta típicaCirurgia + radioterapia (alta dose)
Grau 3 recorrente

Recidiva de doença anaplásica.

Conduta típicaSistêmico salvage · PRRT · precisão (FAK em NF2-mutado) · ensaio clínico
Grau OMS = 1 (benigno), 2 (atípico), 3 (anaplásico) — por mitoses, invasão cerebral e classe de metilação.
Inicial vs recorrente = cirurgia ± RT na apresentação vs doença que recidiva/progride.

SSTR-avidez (porta do teranóstico): o meningioma expressa fortemente o SSTR2. O 68Ga-DOTATATE PET mapeia essa avidez — refinando o delineamento de RT e a detecção de doença residual — e identifica candidatos à PRRT (177Lu/90Y-DOTATATE/DOTATOC), hoje investigacional e mais ativa no grau 1.

Terapia sistêmica é um terreno difícil: não há agente sistêmico aprovado para meningioma. O benchmark histórico de PFS-6 no grau 2/3 é ~26%. Bevacizumabe e CEVOREM (everolimo + octreotídeo) mostram estabilização; a trabectedina foi negativa; a precisão (FAK em NF2-mutado) e a imunoterapia (modesta) seguem investigacionais.

Onde cada modalidade entra

Onde cada modalidade entra ao longo do grau e do cenário, com estudos reais. Clique para abrir a ficha; a lista completa está no Database.

1 · Imagem SSTR — DOTATATE PET

68Ga-DOTATATE/DOTATOC para diagnóstico, delineamento de RT e doença residual.

Imagem SSTR (recomendada)

2 · Radioterapia — grau 2/3 e residual

RT adjuvante de alta dose no grau 2/3 e radiocirurgia; papel adjuvante no grau 2 em estudo.

Radioterapia

3 · PRRT no recorrente SSTR-ávido

177Lu/90Y-DOTATATE/DOTATOC no recorrente/refratário — investigacional, mais ativa no grau 1.

PRRT · investigacional

4 · Sistêmico salvage

Estabilização modesta no recorrente refratário, fora de cirurgia/RT.

Salvage · investigacional

5 · Precisão — FAK em NF2-mutado

Terapia dirigida por subtipo genômico; sinal promissor no eixo FAK-NF2.

Precisão · investigacional

6 · Imunoterapia e limites

Benefício modesto da imunoterapia; trabectedina negativa (o que não funciona também informa).

Imuno / negativo
5

Jornada do Paciente no Meningioma

Do diagnóstico e da imagem SSTR à cirurgia, à radioterapia, à reavaliação na recidiva e à candidatura ao teranóstico.

Esta seção tem finalidade educacional e de melhoria de jornada assistencial. Não define elegibilidade individual, não recomenda tratamento e não substitui julgamento médico, bula, guidelines, protocolos institucionais ou consulta às fontes primárias.

O cuidado eficaz depende de uma cadeia: imagem e graduação, cirurgia, radioterapia conforme o grau, reavaliação da SSTR-avidez na recidiva e candidatura criteriosa à PRRT ou a ensaios. As etapas abaixo mapeiam esse percurso.

1Diagnóstico e imagem
ObjetivoCaracterizar a lesão por RM com contraste e, quando útil, por 68Ga-DOTATATE PET (SSTR).
2Cirurgia e graduação OMS
ObjetivoRessecar com segurança e definir o grau OMS.
3Decisão de radioterapia
ObjetivoDefinir radioterapia adjuvante (grau 2/3) ou radiocirurgia conforme grau, ressecção e localização.
4Discussão em tumor board
ObjetivoIntegrar grau, ressecção, SSTR-avidez, RT prévia, função renal e pesquisa.
5Recidiva e reavaliação SSTR
ObjetivoCaracterizar a recidiva e reavaliar a SSTR-avidez e a taxa de crescimento.
6Candidatura à PRRT
ObjetivoAvaliar candidatura à PRRT (investigacional) em doença recorrente SSTR-ávida sem opção local.
7Sistêmico salvage e precisão
ObjetivoConsiderar opções sistêmicas (estabilização) e precisão por subtipo quando não há cirurgia/RT/PRRT.
8Ensaios e seguimento
ObjetivoPriorizar ensaios clínicos (incl. PRRT) e estruturar o seguimento por imagem.

Gargalos da Jornada e Oportunidades de Otimização

10 gargalos + indicadores

Os indicadores abaixo são apresentados como métricas de melhoria institucional — não são metas promocionais nem comerciais, e devem ser adaptados ao contexto de cada serviço.

1 DOTATATE PET não usado no planejamento de RT
ConsequênciaGTV impreciso, sobretudo em base de crânio e extensão óssea.
OportunidadeDelineamento de RT guiado por 68Ga-DOTATATE PET quando indicado.
DOTATATE PET% RT planejada com DOTATATE PET
2 Graduação OMS incompleta
ConsequênciaRisco de recidiva mal estimado.
OportunidadeLaudo padronizado (mitoses, invasão cerebral) e classe de metilação quando disponível.
Database% com graduação OMS completa
3 Ressecção incompleta sem plano de RT
ConsequênciaRecidiva precoce no grau 2/3.
OportunidadeDiscussão estruturada de RT adjuvante no grau 2/3.
EORTC 22042% grau 2/3 com RT avaliada
4 Recidiva sem reavaliação de SSTR-avidez
ConsequênciaPerde-se a candidatura à PRRT.
Oportunidade68Ga-DOTATATE PET na recidiva refratária.
DOTATATE PET% recidivas com DOTATATE PET
5 PRRT cogitada sem Krenning documentado
ConsequênciaSeleção inadequada para PRRT.
OportunidadeConfirmar SSTR-avidez (Krenning) antes de indicar PRRT.
Checklist% PRRT com Krenning documentado
6 Sistêmico sem benefício usado fora de ensaio
ConsequênciaToxicidade sem ganho consistente.
OportunidadePriorizar ensaio; salvage sistêmico criterioso e informado.
Trial Matcher% avançados avaliados para ensaio
7 Função renal não avaliada antes da PRRT
ConsequênciaRisco de nefrotoxicidade.
OportunidadeeTFG e proteção renal com aminoácidos na PRRT.
Função renal% PRRT com proteção renal
8 Dados incompletos para tumor board
ConsequênciaDiscussão improdutiva; decisões adiadas.
OportunidadeChecklist pré-board; apresentação padronizada.
Checklist% casos com checklist completo
9 Reavaliação não-volumétrica na progressão
ConsequênciaProgressão subestimada (meningiomas crescem lentamente).
OportunidadeVolumetria 3D e critérios RANO no seguimento.
Resposta (RANO)% com avaliação volumétrica
10 Acesso tardio a PRRT/ensaio
ConsequênciaPerde-se a janela terapêutica.
OportunidadeIntegração precoce com Trial Matcher e centros de PRRT.
Trial Matcher% encaminhados a PRRT/ensaio

Onde a imagem molecular e o teranóstico agregam no meningioma

6 cenários

Lista educacional dos cenários em que a imagem molecular e os radiofármacos podem contribuir. O que é RECOMENDADO vs INVESTIGACIONAL está explícito — a interpretação final é sempre clínica e multidisciplinar.

68Ga-DOTATATE/DOTATOC PET (recomendado RANO/PET): delineamento de GTV para RT, doença residual e extensão óssea/transdural
Diferenciação tumor vs cicatriz/fibrose pós-tratamento
Escore de Krenning e SSTR-avidez: seleção de candidatos à PRRT
PRRT 177Lu/90Y-DOTATATE/DOTATOC (investigacional): mais ativa no grau 1, modesta no alto grau
18F-FDG PET: suspeita de desdiferenciação/comportamento agressivo no alto grau
Dosimetria e proteção renal: planejamento e segurança da PRRT
6

Mapa de evidências

Cenários clínicos e os estudos-chave associados. Clique em um estudo para abrir sua ficha no Database.

Cenário A · imagem SSTR
DOTATATE PET no diagnóstico e na RT

Mapeia SSTR-avidez, refina o GTV de RT e detecta doença residual/óssea melhor que a RM isolada.

Cenário B · PRRT no recorrente
Teranóstico SSTR (investigacional)

Controle de doença dependente do grau (marcante no grau 1, mínimo no grau 3); o ensaio randomizado LUMEN-1 está em curso.

Cenário C · radioterapia grau 2/3
RT adjuvante e o debate do grau 2

RT de alta dose sustenta o controle no grau 2 ressecado; o papel da RT adjuvante de rotina segue em estudo.

Cenário D · sistêmico salvage
Estabilização modesta

Sem agente aprovado; estabilização do crescimento como benefício realista no recorrente refratário.

Cenário E · precisão e imunoterapia
Subtipo genômico e limites

FAK em NF2-mutado é promissor; imunoterapia modesta; trabectedina negativa.

7

Estudos-chave

Desenho dos principais estudos. Resultados, desfechos e toxicidades ficam na ficha de cada um no Database — este mapa não reproduz hazard ratios, valores de p ou taxas detalhadas.

68Ga-DOTATATE PETimagem SSTR · recomendada
PopulaçãoMeningioma para diagnóstico, planejamento de RT e doença residual.
Modalidade68Ga-DOTATATE/DOTATOC PET vs RM (correlação histológica).

Imagem SSTR que refina o alvo de RT (RANO/PET).

177Lu-DOTATATEPRRT · recorrente refratário
PopulaçãoMeningioma progressivo SSTR-ávido, pós-cirurgia e RT.
IntervençãoPRRT com 177Lu-DOTATATE (coorte).

Estabilização modesta em população fortemente pré-tratada.

PRRT — meta-análise IPDpor grau OMS
PopulaçãoMeningioma refratário tratado com PRRT (90Y/177Lu), dados individuais.
AnáliseControle de doença e PFS-6 estratificados por grau.

Atividade marcante no grau 1, decrescente no grau 2/3.

LUMEN-1PRRT randomizado · em curso
PopulaçãoMeningioma recorrente SSTR-ávido (OMS 1–3).
Intervenção / comparador177Lu-DOTATATE vs padrão de cuidado.

Primeiro ensaio randomizado de PRRT em meningioma (EORTC).

EORTC 22042-26042RT · grau 2/3
PopulaçãoMeningioma atípico/anaplásico ressecado.
IntervençãoRT de alta dose (60 Gy, IMRT/SIB).

Sustenta a RT adjuvante no grau 2 com ressecção completa.

ROAM / EORTC-1308RT adjuvante grau 2 · em curso
PopulaçãoMeningioma atípico (grau 2) ressecado completamente.
Intervenção / comparadorRT adjuvante precoce vs observação.

Definirá se a RT adjuvante deve ser padrão no grau 2.

Bevacizumabesalvage · anti-VEGF
PopulaçãoMeningioma progressivo grau 1–3 refratário.
IntervençãoBevacizumabe (fase 2, braço único).

Estabilização como melhor resposta na maioria.

CEVOREMsalvage · mTOR + SSA
PopulaçãoMeningioma agressivo recorrente (grau 2/3).
IntervençãoEverolimo + octreotídeo LAR (fase 2).

Redução da taxa de crescimento tumoral.

Alliance A071401precisão · FAK-NF2
PopulaçãoMeningioma recorrente por subtipo genômico (NF2, SMO, AKT1).
IntervençãoFAK-inibidor em NF2-mutado (e outros braços).

Sinal promissor do eixo FAK-NF2 (atingiu PFS-6m).

EORTC-1320trabectedina · negativo
PopulaçãoMeningioma grau 2/3 recorrente.
Intervenção / comparadorTrabectedina vs cuidado local.

Negativo — sem benefício e maior toxicidade.

8

Trial Lineage — publicações secundárias e análises derivadas

Um estudo pivotal raramente é uma publicação única: gera uma família de evidências — follow-ups, subgrupos, qualidade de vida, segurança, biomarcadores e abstracts de congresso.

O Trial Lineage de meningioma está em desenvolvimento — as publicações secundárias serão conectadas ao catálogo. Por ora, as fichas completas, com citações e links oficiais, estão no Database.

9

Critérios práticos de discussão

Checklist clínico a revisar antes de discutir radioterapia, PRRT ou terapia sistêmica.

Dados clínicos
  • Idade
  • ECOG / Karnofsky
  • Sintomas neurológicos
  • Comorbidades
  • Objetivo terapêutico
Patologia e ressecção
  • Grau OMS (1/2/3)
  • Mitoses e invasão cerebral
  • Classe de metilação, se disponível
  • Extensão da ressecção (Simpson)
  • Mutações (NF2, SMO, AKT1)
Imagem e SSTR
  • RM volumétrica
  • 68Ga-DOTATATE PET e Krenning
  • SSTR-avidez
  • FDG, se suspeita de desdiferenciação
Segurança
  • Função renal (PRRT)
  • Hemograma
  • Radioterapia prévia (dose acumulada)
  • Estruturas críticas próximas
Acesso e pesquisa
  • Acesso a PRRT
  • Necessidade de teste molecular
  • Possibilidade de inclusão em trial
  • Encaminhamento
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Ensaios clínicos ativos relacionados

Ensaios em andamento ou recrutando em meningioma — PRRT (177Lu/90Y-DOTATATE), radioterapia, terapia de precisão por subtipo genômico e imunoterapia. A elegibilidade final depende sempre do protocolo oficial e do centro responsável.

11

Guidelines e referências

As recomendações de manejo do meningioma seguem diretrizes de neuro-oncologia (EANO, NCCN) e a recomendação de imagem do RANO/PET Group — referências externas. As guidelines de SSTR-PET e PRRT hospedadas no TheraTrials (derivadas dos TNE) são as referências teranósticas transferíveis mais próximas.

12

Ferramentas úteis

Calculadoras e critérios já disponíveis na página de Ferramentas.

13

Checklists

Três listas de itens para revisão — organização do caso, não critérios de elegibilidade (a avaliação formal cabe à equipe responsável). Cada uma pode ser copiada em texto.

Encaminhamento para discussão multidisciplinar (meningioma)

Diagnóstico histológico e grau OMS (1/2/3)
Critérios de graduação (mitoses, invasão cerebral) e metilação, se disponível
Extensão da ressecção (grau de Simpson)
Localização (base de crânio, foice, seio cavernoso)
RM com contraste recente
68Ga-DOTATATE PET (SSTR) e escore de Krenning
Status de SSTR-avidez
FDG PET, se suspeita de desdiferenciação
Radioterapia prévia (dose/campo)
Padrão de recidiva/progressão (volumetria)
Mutações acionáveis (NF2, SMO, AKT1), se testadas
Função renal (relevante para PRRT)
Hemograma
ECOG / Karnofsky e sintomas neurológicos
Objetivo da discussão
Possibilidade de ensaio clínico

Apresentação de caso no tumor board

Pergunta clínica objetiva
Grau OMS e extensão da ressecção (Simpson)
Localização e relação com estruturas críticas
Status de SSTR-avidez (DOTATATE PET / Krenning)
Radioterapia prévia e margem de retratamento
Linha terapêutica atual e tratamentos prévios
Padrão de progressão (taxa de crescimento volumétrico)
Mutações acionáveis (NF2, SMO, AKT1)
Função renal e performance status
Sintomas neurológicos
Opções aprovadas vs investigacionais
Ensaios clínicos disponíveis (incl. PRRT)
Limitações ou incertezas
Próximo passo proposto para discussão

Pré-terapia (PRRT/sistêmico), documentação e acesso

Relatório médico
Confirmação de SSTR-avidez (DOTATATE PET, Krenning)
RM volumétrica recente para baseline
Radioterapia prévia (dose acumulada a estruturas críticas)
Função renal (eTFG) e hemograma
Proteção renal com aminoácidos prevista (PRRT)
Plano de dosimetria, quando aplicável
Avaliação de função orgânica para terapia sistêmica
Consentimento institucional, se aplicável
Orientações de radioproteção (PRRT)
Autorização
Agendamento
Logística do radiofármaco
Comunicação com neurocirurgia/radio-oncologia
Plano de seguimento e avaliação de resposta (RANO)

Explorar estudos por tumor

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